Tecnologia inovadora identifica primatas pelo calor corporal no Parque Estadual do Alto Cariri, um marco para a conservação da espécie. Saiba mais sobre a descoberta.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma tecnologia inovadora permitiu um registro inédito para a conservação no Brasil: um drone com câmera térmica revelou a presença de mais de 60 muriquis-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) no Parque Estadual do Alto Cariri, em Minas Gerais. Atualizado em 7 de outubro de 2026, o levantamento representa um salto significativo no conhecimento sobre a população do maior primata das Américas, que antes era estimada em apenas quatro a sete indivíduos na mesma área.
A descoberta foi resultado de uma parceria entre o biólogo e professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Fabiano Rodrigues de Melo, e o gestor do parque, Jones Lacerda. Melo, pioneiro no uso de drones para monitorar primatas na América Latina, emprestou o equipamento que possibilitou a contagem precisa dos animais, divididos em pelo menos três grupos, segundo o portal G1.
Diferente de câmeras convencionais, o drone térmico é equipado com um sensor infravermelho que detecta o calor corporal dos animais. Isso permite que os pesquisadores localizem os muriquis mesmo quando estão escondidos no alto das árvores, sob a densa folhagem da Mata Atlântica. A tecnologia otimiza o trabalho de campo em até cinco vezes em comparação com drones que usam apenas câmeras coloridas, conforme aponta uma reportagem do site O Eco.
O aparelho capta uma imagem em que os animais aparecem como "pontos brancos" de calor, contrastando com o ambiente mais frio ao redor. Essa visibilidade facilita não apenas a localização de grupos, mas também a contagem de cada indivíduo, fornecendo dados essenciais para estudos populacionais.
O muriqui-do-norte é uma espécie classificada como "criticamente em perigo" de extinção, com uma população total estimada em cerca de mil indivíduos na natureza, distribuídos em apenas 12 localidades conhecidas. A confirmação de uma população de mais de 60 indivíduos no Alto Cariri é uma notícia animadora para os projetos de conservação.
Segundo Fabiano Melo, em entrevista ao G1, a população local de muriquis era praticamente desconhecida até 2004. O crescimento observado está diretamente ligado à criação de unidades de conservação na região a partir de 2008, como o próprio Parque Estadual Alto Cariri. Essas áreas protegidas aumentaram a fiscalização e coibiram a caça, uma das principais ameaças à espécie.
O muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) é o maior primata das Américas, podendo pesar até 15 quilos. É uma espécie endêmica da Mata Atlântica, ou seja, só existe nesse bioma. Por se alimentar de frutos e dispersar sementes, é considerado um "engenheiro da floresta", fundamental para a regeneração do ecossistema.
A contagem foi realizada no Parque Estadual Alto Cariri, uma unidade de conservação localizada nos municípios de Santa Maria do Salto e Salto da Divisa, em Minas Gerais. O parque protege um importante remanescente de Mata Atlântica e é referência em pesquisas científicas na região, segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF).
Além da contagem visual, os pesquisadores coletaram amostras de fezes dos animais para realizar estudos genéticos. Essa análise ajudará a entender a diversidade genética da população e a planejar futuras ações de manejo, como a translocação de indivíduos para fortalecer outros grupos e garantir a sobrevivência da espécie a longo prazo.
A utilização de drones térmicos no Parque Estadual do Alto Cariri representa um marco na forma como a fauna ameaçada é monitorada no Brasil. A descoberta de uma população robusta de muriquis-do-norte oferece uma nova esperança e demonstra que a combinação de tecnologia de ponta com a proteção efetiva de habitats naturais é o caminho mais eficaz para a conservação da biodiversidade.
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