Fenômeno climático leva peixe inédito, serpente venenosa e ninhos de tartaruga-marinha pela primeira vez à costa oeste dos EUA. Entenda o impacto.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um El Niño excepcionalmente forte está aquecendo as águas do Oceano Pacífico e levando uma série de espécies tropicais raras para o litoral da Califórnia, nos Estados Unidos. Atualizado em 18 de outubro de 2026, o fenômeno já resultou no avistamento de um peixe nunca antes visto na região, uma serpente-marinha altamente venenosa e os primeiros ninhos de tartaruga-marinha já registrados na costa oeste do país, segundo a agência Reuters.
O aquecimento das águas, empurradas para o norte pelo El Niño, tem atraído a atenção de cientistas e moradores. A tecnologia de drones e vídeos tem ajudado a documentar essas aparições incomuns, que incluem tubarões-baleia, tubarões-martelo e raias-manta.
Em setembro, um evento considerado extraordinário marcou a costa da Califórnia: dois ninhos de tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) foram encontrados em praias do Condado de Orange. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), este foi o primeiro registro documentado de qualquer espécie de tartaruga-marinha nidificando na costa oeste dos EUA. O primeiro ninho foi achado em Seal Beach em 16 de setembro, e o segundo três dias depois, em Huntington Beach.
Uma serpente-marinha-de-barriga-amarela (Hydrophis platurus), conhecida por seu veneno potente, foi encontrada aparentemente doente na costa do Condado de Orange. Embora seu veneno afete o sistema nervoso e muscular, a espécie é considerada dócil e há poucos registros de acidentes com humanos. Além disso, no mês passado, um pescador capturou um exemplar de peixe-cacique (Priacanthus arenatus), o primeiro registro da espécie na Califórnia, confirmado pelo Museu de História Natural do Condado de Los Angeles.
O fenômeno tem dois lados: enquanto a pesca esportiva celebra, o ecossistema costeiro enfrenta desafios significativos.
Para o setor pesqueiro, o El Niño trouxe resultados expressivos. Segundo Donna Kalez, coproprietária da Dana Wharf Sportfishing & Whale Watching, os pescadores capturaram cerca de 5.000 atuns-amarelos este ano, um salto gigantesco em comparação com apenas dois no ano passado. Peixes como o dorado (mahi-mahi) também estão sendo pescados com mais frequência.
A Califórnia já enfrentava uma onda de calor marinho antes do El Niño, que, combinado com uma sequência de furacões, elevou o nível do mar e causou grandes ondas que erodiram praias e danificaram casas. O governo estadual declarou estado de emergência prevendo mais impactos. Especialistas se preocupam com as algas marinhas, que prosperam em águas frias e são vitais como habitat para muitas espécies.
O fenômeno El Niño aquece as águas superficiais do Oceano Pacífico e as empurra para o norte. Com essas correntes de água quente, espécies tropicais que normalmente vivem mais ao sul são transportadas para a costa da Califórnia.
A serpente-marinha-de-barriga-amarela é extremamente venenosa, mas é considerada dócil e não costuma atacar humanos sem provocação. Fora da água, ela é lenta e vulnerável. Houve apenas seis ou sete avistamentos confirmados da espécie na Califórnia.
O forte El Niño está transformando temporariamente a fauna marinha da Califórnia, criando um espetáculo para observadores e uma oportunidade para pescadores, mas também gerando alertas sobre os impactos no ecossistema e na infraestrutura costeira. Especialistas preveem que as condições voltem ao normal com o fim do fenômeno, previsto para o próximo ano, mas afirmam que novas espécies ainda podem aparecer enquanto ele durar.
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