Pesquisa de 18 anos no Quênia mostrou que a ausência de grandes herbívoros aumentou a cobertura de árvores. Veja como o retorno dos animais reverteu o processo.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um experimento de longo prazo no Quênia revelou o papel crucial de elefantes e girafas na manutenção da savana. Após isolar uma área por 18 anos, cientistas viram a cobertura de árvores crescer drasticamente; com o retorno dos animais, a paisagem voltou quase ao seu estado original em menos de uma década. Atualizado em 30 de setembro de 2026.
A pesquisa, conduzida no Mpala Research Centre e publicada na revista científica Ecology Letters, demonstrou a capacidade dos megaherbívoros de regular e remodelar ativamente a estrutura da vegetação, impedindo que a savana se transforme em uma floresta densa.
Para entender o impacto dos grandes herbívoros, pesquisadores cercaram parcelas de terra, impedindo a entrada de animais como elefantes e girafas. De acordo com os dados do estudo, durante o período de exclusão, a cobertura arbórea na área isolada saltou de um patamar de 36,2% para mais de 60% (fontes: Catraca Livre, The Times of India). Além disso, as árvores se tornaram mais altas e numerosas, com a densidade subindo de 1.544 para 3.285 árvores por hectare, alterando profundamente a fisionomia do local.
Em 2017, as cercas foram removidas, permitindo que os animais retornassem naturalmente. O resultado foi imediato e transformador. Elefantes e girafas começaram a se alimentar das árvores e a quebrar galhos, revertendo o adensamento florestal. As medições feitas em 2025 mostraram que a cobertura de árvores havia caído para 36,5%, um nível quase idêntico ao registrado no início do experimento (fontes: Catraca Livre, The Times of India). A ação dos animais restaurou a paisagem aberta característica da savana.
Apesar da rápida reversão na cobertura arbórea, o ecossistema não voltou imediatamente ao seu estado anterior. A pesquisa apontou que a densidade de árvores permaneceu elevada mesmo após o retorno dos herbívoros. A mortalidade das árvores também aumentou, atingindo uma média de 30,5 por ano nas áreas anteriormente cercadas, mais que o dobro das áreas de controle (fonte: The Times of India). Os cientistas concluíram que alguns efeitos da ausência dos animais podem persistir, descrevendo essas mudanças como potencialmente "resistentes ao rewilding" (processo de restauração ecológica).
Elefantes e girafas são considerados "engenheiros de ecossistema". Ao se alimentarem de árvores, quebrarem galhos e derrubarem troncos, eles impedem que a vegetação lenhosa domine a paisagem. Essa ação mantém a savana aberta, permitindo que a luz solar chegue ao solo e favorecendo o crescimento de gramíneas, essenciais para outras espécies.
O estudo destacou uma ação complementar entre diferentes espécies. Enquanto os megaherbívoros, como elefantes e girafas, controlavam as árvores adultas e copas altas, herbívoros menores, como impalas e dik-diks, consumiam brotos e a vegetação rasteira, impedindo o surgimento de novos arbustos (fonte: Catraca Livre).
A pesquisa reforça que a proteção de grandes mamíferos é fundamental para a saúde de ecossistemas inteiros. A perda desses animais, mesmo que temporária, causa alterações profundas e duradouras na paisagem. As descobertas validam estratégias de conservação focadas em rewilding e na manutenção de corredores ecológicos que permitam a livre circulação da fauna.
O experimento no Quênia oferece uma prova contundente de que elefantes, girafas e outros grandes herbívoros são indispensáveis para a regulação e manutenção das savanas africanas. O retorno desses animais foi capaz de reverter rapidamente o adensamento florestal causado por sua ausência, embora algumas cicatrizes ecológicas permaneçam, destacando a complexidade e a fragilidade desses ecossistemas.
Em 1992, 28.800 brinquedos caíram no Oceano Pacífico. Entenda como este acidente se tornou um experimento crucial para mapear correntes oceânicas e o plástico.
Um pinguim-de-magalhães foi flagrado em uma praia de Maricá (RJ). Entenda por que o fenômeno é comum e saiba o que fazer ao encontrar um animal marinho.
A captura de 314 peixes-leões em outubro em Fernando de Noronha acende alerta. Entenda por que a espécie invasora ameaça a biodiversidade local e o que está sendo feito.
Após mais de uma década de cuidados no Amapá, o peixe-boi Victor Maracá e a fêmea Perpétua iniciam complexa viagem ao Pará. Entenda as etapas.