Pesquisa da Universidade de Washington mostra como o ciclo de nutrientes que sustenta o fitoplâncton foi quebrado pela caça e sua recuperação pode ajudar a capturar carbono.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Washington revelou que as fezes de baleias misticetas, como as azuis e jubartes, funcionam como um super-fertilizante natural para os oceanos, contendo concentrações de ferro até dez milhões de vezes maiores que a água do mar circundante.
A pesquisa, publicada na revista Communications Earth & Environment, analisou amostras fecais e mediu pela primeira vez não apenas a quantidade, mas as formas químicas dos nutrientes, confirmando o papel fundamental desses mamíferos na saúde dos ecossistemas marinhos e na regulação do clima.
O mecanismo, conhecido como "bomba de baleia", funciona em um ciclo simples: as baleias mergulham em águas profundas para se alimentar de krill e outras presas ricas em ferro. Em seguida, retornam à superfície para respirar e defecar, liberando esses nutrientes na zona fótica, a camada iluminada do oceano onde vive o fitoplâncton.
O ferro é um nutriente escasso e limitante em vastas áreas oceânicas. As fezes das baleias o fornecem em uma forma "biodisponível", ou seja, quimicamente estável e acessível para que esses organismos microscópicos o utilizem para crescer. Ao proliferar, o fitoplâncton forma a base de toda a cadeia alimentar marinha e absorve dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.
O estudo reforça uma observação que intrigava cientistas: a caça comercial, que eliminou mais de dois milhões de grandes baleias no Oceano Antártico, não resultou em um aumento da população de krill, sua principal presa. Pelo contrário, a biomassa de krill despencou mais de 80%.
A hipótese, agora sustentada por evidências químicas, é que a drástica redução de baleias interrompeu o ciclo de fertilização. Sem as fezes ricas em ferro, o fitoplâncton diminuiu, colapsando a base da cadeia alimentar e afetando diretamente a população de krill.
Ao estimular o crescimento do fitoplâncton, as baleias ajudam o oceano a capturar carbono. Quando o fitoplâncton morre, ele afunda, transportando o carbono absorvido para o fundo do mar, em um processo chamado "bomba biológica de carbono".
A recuperação das populações de baleias, portanto, não é apenas uma questão de conservação de espécies, mas também uma ferramenta natural e eficiente para restaurar a produtividade dos oceanos e fortalecer sua capacidade de mitigar as mudanças climáticas.
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