Conheça a Grande Muralha Verde, iniciativa africana que restaura 100 milhões de hectares e cria 10 milhões de empregos para conter o Saara. Veja os objetivos.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Grande Muralha Verde é uma ambiciosa iniciativa liderada pela União Africana para criar uma faixa de vegetação de 8.000 quilômetros que atravessa o continente, do Senegal ao Djibuti, com o objetivo de conter o avanço do deserto do Saara, restaurar terras degradadas e melhorar a vida de milhões de pessoas. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Lançado em 2007, o projeto visa combater a desertificação na região do Sahel, uma faixa semiárida ao sul do Saara. Diferente da imagem de uma linha contínua de árvores, a iniciativa evoluiu para um "mosaico de intervenções", como descrito pela CNN Brasil e O Antagonista. Essas ações incluem o plantio de espécies nativas, recuperação de pastagens, manejo sustentável do solo e conservação da água, adaptadas à realidade de cada comunidade local.
A meta é criar uma barreira ecológica que estabiliza o solo, melhora a retenção de água e protege as comunidades da insegurança alimentar causada pela degradação ambiental, que afeta cerca de 135 milhões de pessoas na região, segundo estimativas da ONU citadas pela CNN Brasil.
A iniciativa estabeleceu metas ambiciosas a serem alcançadas até 2030, com impactos ambientais e socioeconômicos significativos. O progresso, embora desafiador, já apresenta resultados concretos em diversas nações.
Os objetivos centrais da Grande Muralha Verde, conforme reportado por diversas fontes, são:
Até 2021, cerca de 4 milhões de hectares haviam sido restaurados dentro das zonas oficiais, representando 4% da meta, embora o número chegue a quase 20 milhões de hectares ao incluir áreas adjacentes, de acordo com a CNN Brasil. A Etiópia se destaca com 15 milhões de hectares de terras recuperadas, enquanto o Senegal já plantou mais de 12 milhões de árvores, segundo o ArchDaily Brasil. No total, o projeto já gerou 335 mil empregos e US$ 90 milhões em renda para as comunidades locais.
Apesar do avanço, a Grande Muralha Verde enfrenta obstáculos significativos que retardam sua implementação. O financiamento é uma das principais barreiras; a ONU estima que são necessários US$ 33 bilhões para atingir a meta de 2030, e ainda há uma lacuna considerável, conforme aponta o Xataka. Além disso, a instabilidade política e conflitos armados em partes do Sahel dificultam o acesso e a manutenção das áreas de restauração. Um estudo citado pelo Xataka revelou que quase metade das áreas com potencial de recuperação são consideradas inseguras demais para operar.
A iniciativa é liderada por um núcleo de 11 países: Senegal, Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger, Nigéria, Chade, Sudão, Eritreia, Etiópia e Djibuti. No entanto, o projeto envolve a colaboração de até 21 nações africanas no total, de acordo com o ArchDaily Brasil.
Não. Inicialmente concebida como uma linha de árvores, a estratégia evoluiu para um mosaico de práticas sustentáveis, incluindo regeneração natural, agricultura sustentável, recuperação de pastagens e manejo de recursos hídricos, como informado por O Antagonista e Portal 6.
A Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) estima que são necessários pelo menos US$ 33 bilhões para atingir os objetivos de 2030. Em 2021, um impulso de US$ 14 bilhões foi anunciado por doadores como a França e o Banco Mundial, mas o financiamento contínuo segue sendo um desafio.
A Grande Muralha Verde é mais do que um projeto ambiental; é uma resposta socioeconômica e um símbolo de esperança para uma das regiões mais vulneráveis do planeta. Ao combater a desertificação com um mosaico de soluções sustentáveis, a iniciativa busca garantir segurança alimentar, gerar empregos e promover a estabilidade política, provando que a restauração ecológica pode transformar paisagens e vidas.
Dados da NASA, NOAA e Copernicus confirmam que o buraco sobre a Antártida teve tamanho e duração reduzidos, um forte sinal da recuperação do planeta. Entenda.
Após mais de 40 anos em zoológico de Sorocaba (SP), o paquiderme inicia nova vida em Chapada dos Guimarães. Saiba como foi a jornada de 1.600 km.
Sinais como mudança na cor da pele e menos estresse indicam a adaptação de um elefante. Entenda como a equipe avalia o bem-estar de Sandro no novo lar.
Um filhote encontrado por acaso na Bolívia em 2016 foi a chave para uma descoberta histórica. Entenda como cientistas brasileiros identificaram o 'tigrinho boliviano'.