Um lobo-guará, maior canídeo da América do Sul e criticamente ameaçado em SC, foi filmado no Oeste do estado. Biólogos explicam a importância do registro.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um lobo-guará, o maior canídeo silvestre da América do Sul e uma espécie considerada criticamente ameaçada de extinção em Santa Catarina, foi filmado em uma propriedade rural de Abelardo Luz, no Oeste do estado. O registro raro, feito por uma moradora local, reforça a importância da conservação ambiental na região. Atualizado em 23 de maio de 2024.
O vídeo foi gravado por Bibiana Spautz Da Costa e mostra o animal caminhando tranquilamente pela propriedade. Segundo a fonte, este foi o segundo avistamento feito por ela no mesmo local, com o primeiro ocorrendo em novembro do ano anterior. Para o biólogo Jackson Preuss, os registros podem indicar que a região faz parte da área de vida da espécie, embora ainda não seja possível determinar o número de indivíduos no local.
De acordo com Preuss, o ambiente de Abelardo Luz, com áreas de campo e vegetação aberta, favorece a presença do lobo-guará, que ocupa naturalmente esses habitats. O animal pode ter passado pela lavoura em busca de alimento, abrigo ou simplesmente se deslocando entre fragmentos de mata.
A situação do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) varia conforme a região, mas a preocupação é geral. Em Santa Catarina, a espécie é classificada como "criticamente em perigo", devido aos poucos registros e às fortes pressões que sofre, conforme apontam os biólogos Jackson Preuss e Paulo Roberto Sinigoski. No Rio Grande do Sul, a situação é similar.
No cenário nacional, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) classifica o animal como "vulnerável" à extinção. Globalmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) o lista como "quase ameaçado". As principais ameaças incluem:
Estima-se que existam cerca de 24 mil indivíduos em todo o Brasil, segundo informações do biólogo Paulo Roberto Sinigoski.
O lobo-guará é um animal onívoro, ou seja, sua dieta é variada, incluindo pequenos animais como roedores e anfíbios, além de uma grande quantidade de frutos. Uma de suas principais características é o consumo da "fruta-do-lobo" ou lobeira.
Ao se alimentar de frutos e se deslocar por grandes áreas, ele atua como um importante dispersor de sementes, ajudando na regeneração de florestas e campos. "Ele é um importante dispersor e mantenedor das florestas e das áreas de campo", destacou o biólogo Jackson Preuss em entrevista.
Não. O lobo-guará é um animal arisco que costuma evitar o contato com seres humanos. Sua principal estratégia de defesa é a fuga. "Na presença de humanos, o lobo-guará vai se afastar e procurar se esconder", explica o biólogo Paulo Roberto Sinigoski.
A orientação de especialistas é observar o animal à distância, sem tentar se aproximar, cercá-lo ou capturá-lo. Permita que ele siga seu caminho. Caso o animal pareça ferido ou em situação de risco, a recomendação é acionar os órgãos ambientais responsáveis da sua região.
É o maior canídeo da América do Sul, podendo pesar cerca de 30 quilos. Suas características mais marcantes são as pernas longas e finas, orelhas grandes e uma pelagem de cor alaranjada ou avermelhada, que o ajuda a se camuflar no Cerrado, seu bioma principal.
O avistamento do lobo-guará em Abelardo Luz é um evento significativo que serve como um lembrete da rica biodiversidade presente em Santa Catarina e da urgência em proteger as espécies ameaçadas. A presença do animal indica a qualidade ambiental da região, mas também acende um alerta para a necessidade de políticas de conservação que garantam a sobrevivência do lobo-guará e de seu habitat.
Em 1992, 28.800 brinquedos caíram no Oceano Pacífico. Entenda como este acidente se tornou um experimento crucial para mapear correntes oceânicas e o plástico.
Um pinguim-de-magalhães foi flagrado em uma praia de Maricá (RJ). Entenda por que o fenômeno é comum e saiba o que fazer ao encontrar um animal marinho.
A captura de 314 peixes-leões em outubro em Fernando de Noronha acende alerta. Entenda por que a espécie invasora ameaça a biodiversidade local e o que está sendo feito.
Após mais de uma década de cuidados no Amapá, o peixe-boi Victor Maracá e a fêmea Perpétua iniciam complexa viagem ao Pará. Entenda as etapas.