Originário da China, o mexilhão dourado chegou em 1991 e se tornou uma praga. Entenda os impactos econômicos e ambientais da invasão nos rios sul-americanos.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 4 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. Introduzido acidentalmente na América do Sul em 1991, o mexilhão dourado (Limnoperna fortunei), um pequeno molusco originário da China, tornou-se uma das espécies invasoras mais agressivas do continente. Transportado pela água de lastro de navios, ele se espalhou rapidamente por rios brasileiros, causando severos prejuízos econômicos e ambientais, desde o entupimento de turbinas de hidrelétricas até a extinção de espécies nativas.
O mexilhão dourado é um molusco bivalve de água doce, com cerca de 2 a 4 centímetros de comprimento, nativo do Sudeste Asiático, principalmente do rio Yang Tsé, na China. Sua chegada à América do Sul foi registrada pela primeira vez em 1991, no estuário do Rio da Prata, na Argentina. A principal hipótese é que suas larvas viajaram clandestinamente na água de lastro — compartimentos que os navios enchem de água para garantir estabilidade —, que foi liberada no continente.
Desde então, sua expansão tem sido alarmante. No Brasil, foi detectado pela primeira vez no lago Guaíba (RS) em 1998 e, sem predadores naturais ou variações ambientais que controlem sua população, avançou pelas bacias dos rios Paraná, Uruguai e São Francisco, ameaçando chegar à Amazônia. Sua alta capacidade reprodutiva, gerando larvas por até nove meses ao ano, permite que colonize novos territórios rapidamente, atingindo densidades que superam 150 mil indivíduos por metro quadrado.
A invasão do mexilhão dourado é considerada uma das mais graves ameaças aos ecossistemas aquáticos brasileiros, com consequências que vão além dos danos à biodiversidade, gerando custos milionários para a indústria e serviços públicos.
Como um animal filtrador, o mexilhão dourado consome grandes volumes de plâncton, a base da cadeia alimentar aquática. Isso reduz a disponibilidade de alimento para peixes e outras espécies nativas. Além disso, sua proliferação pode alterar os níveis de fósforo e nitrogênio da água, favorecendo o surgimento de algas tóxicas, que são fatais para a fauna aquática e perigosas para humanos. O molusco também sufoca espécies nativas, como outros moluscos, ao se fixar em suas conchas e impedi-las de abrir.
Os impactos econômicos são enormes. O mexilhão se fixa em qualquer superfície rígida, causando o entupimento de tubulações de captação de água, sistemas de resfriamento de turbinas em usinas hidrelétricas e tanques-rede de piscicultura. Essa obstrução obriga empresas a paralisar operações para limpezas frequentes e custosas.
A erradicação do mexilhão dourado em ambientes abertos é considerada inviável. As estratégias atuais focam no controle e na mitigação dos danos. Em sistemas industriais, são utilizados métodos como a aplicação de cloro, ozônio, luz ultravioleta e tintas anti-incrustantes. No entanto, essas soluções são restritas a ambientes fechados e podem causar impactos ambientais secundários.
Uma das frentes mais promissoras é a biotecnologia. Uma pesquisa liderada pela CTG Brasil desenvolveu em laboratório um protótipo de mexilhão geneticamente modificado. A técnica, chamada de "gene-drive", visa introduzir um gene que causa infertilidade nas gerações futuras, buscando controlar a população do invasor ao longo do tempo. A detecção rápida e o monitoramento contínuo também são fundamentais para impedir que a praga alcance novas bacias, como a Amazônica.
O mexilhão dourado é originário dos rios da China e do Sudeste Asiático. Ele chegou à América do Sul em 1991, provavelmente através da água de lastro de navios cargueiros que atracaram no Rio da Prata.
Não, o mexilhão dourado não é considerado comestível. Além disso, por ser um organismo filtrador, ele pode acumular toxinas e poluentes presentes na água, representando um risco à saúde.
Os prejuízos são ecológicos e econômicos. Ele compete com espécies nativas por alimento, altera a qualidade da água e pode causar a morte de peixes. Economicamente, causa milhões em prejuízos ao entupir tubulações de hidrelétricas e sistemas de abastecimento de água.
Mais de três décadas após sua chegada, o mexilhão dourado se consolidou como uma praga persistente e dispendiosa para o Brasil e países vizinhos. A combinação de danos ambientais severos e prejuízos econômicos bilionários exige investimentos contínuos em estratégias de controle, monitoramento e inovação científica para conter o avanço de um dos invasores mais bem-sucedidos da história recente.
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