Esforços em estados como MG e MT reabilitam onças-pardas vítimas de acidentes e desnutrição. Saiba como colares GPS monitoram sua readaptação à vida selvagem.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Vítimas de atropelamentos ou encontradas debilitadas pela perda de habitat, onças-pardas têm ganhado uma segunda chance no Brasil graças a esforços conjuntos de reabilitação e ao uso de tecnologia de ponta para monitoramento. Atualizado em 22 de junho de 2026, casos recentes em Mato Grosso e Minas Gerais ilustram como esses felinos são tratados e devolvidos à natureza com segurança.
Uma onça-parda macho, batizada de Guaraná, foi devolvida à natureza na Reserva São Francisco do Perigara, no Pantanal de Mato Grosso, após um intenso processo de recuperação de nove meses. O animal havia sido resgatado na mesma região em estado grave, apresentando desidratação, desnutrição e dentes quebrados, conforme relatado pelo veterinário Marcos Lages, do projeto Onçafari. Durante o tratamento, Guaraná ganhou mais de 15 kg e passou por testes para garantir que seus instintos de caça estavam intactos.
Para acompanhar sua readaptação, a equipe instalou um colar com GPS e VHF, que permite rastrear seus movimentos em tempo real via satélite. Segundo o G1, mais de 40 armadilhas fotográficas também foram espalhadas pela reserva para monitorar o comportamento do felino, que tem se mostrado ativo e distante do contato humano.
Em Minas Gerais, uma onça-parda jovem foi resgatada no final de fevereiro após ser atropelada em uma rodovia perto de Campos Altos. O animal sofreu uma fratura no fêmur e precisou de uma cirurgia ortopédica realizada na Universidade de Uberaba (Uniube), segundo o portal O Globo. A recuperação ocorreu em um recinto especial no Zoológico de Belo Horizonte, fora da área de exposição pública para preservar seus instintos selvagens.
Após a reabilitação completa, a onça foi solta no início de maio em uma área particular. De acordo com o portal G37, a operação foi uma colaboração entre o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e o Ibama. Assim como no caso do Pantanal, o animal recebeu um rádio colar para que pesquisadores possam monitorar sua rotina e garantir que a reintrodução à natureza seja bem-sucedida.
A onça-parda, ou suçuarana, é o segundo maior felino das Américas. Um macho adulto pode pesar entre 40 kg e 72 kg, com um comprimento de corpo de aproximadamente 1,08 m, sem contar a cauda. Indivíduos em regiões mais frias, como Canadá e Chile, tendem a ser maiores, com registros de machos ultrapassando 110 kg.
A espécie é considerada vulnerável na lista nacional do ICMBio. As principais ameaças incluem a perda e fragmentação de seu habitat natural devido à expansão urbana e agrícola, atropelamentos em rodovias, e a caça por retaliação a ataques a animais domésticos.
O monitoramento é feito principalmente com colares equipados com GPS, que registram a localização do animal via satélite, e sinais de rádio VHF, que permitem a localização em campo com uma antena. Além disso, armadilhas fotográficas são usadas para registrar imagens e observar o comportamento dos felinos na natureza.
Os casos de reabilitação bem-sucedida de onças-pardas em diferentes partes do Brasil demonstram a importância da colaboração entre órgãos ambientais, institutos de pesquisa e a sociedade civil. A aplicação de tecnologias de monitoramento, como colares GPS, é fundamental para garantir não apenas a sobrevivência individual dos animais resgatados, mas também para gerar dados valiosos para a conservação da espécie em todo o país.
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