Fotógrafo registra a onça Medrosa e seus dois filhotes em cena 'bíblica' em Poconé (MT). Entenda o comportamento dos animais e a importância do registro.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um registro raro de uma onça-pintada com seus dois filhotes sobre um tronco de árvore no Pantanal de Mato Grosso encantou biólogos e entusiastas da vida selvagem. A cena foi capturada pelo fotógrafo Marcello Cavalcanti no Parque Estadual Encontro das Águas, em Poconé (MT), e mostra a fêmea Medrosa ao lado dos filhotes Selva e Kairo. Atualizado em 27 de setembro de 2026.
O momento foi registrado no fim da tarde de 18 de setembro, quando a onça Medrosa e seus filhotes saíram de uma toca e subiram em um tronco caído sobre o Corixo Negro, conforme relatado por Cavalcanti. O fotógrafo, que acompanha a fêmea desde 2021, descreveu a imagem como "meio bíblica, meio etérea, meio pintura", devido ao alinhamento perfeito dos três animais.
A cena, que durou poucos minutos, rendeu uma sequência de 419 fotografias. Segundo o fotógrafo, os animais permaneceram deitados e tranquilos por cerca de três minutos antes de começarem a se movimentar e brincar, proporcionando um registro único da vida selvagem na região.
A bióloga Julia Ghion explica que a interação observada é fundamental para o desenvolvimento dos jovens felinos. As brincadeiras e o contato físico ajudam na coordenação motora, no equilíbrio e no controle da força da mordida, habilidades essenciais para a sobrevivência.
O uso de árvores por filhotes é um comportamento documentado. Um estudo publicado na revista científica Acta Ethologica, com dados coletados no Pantanal, identificou que os filhotes usam árvores com mais frequência que os adultos. Essas estruturas servem como locais seguros para descanso e refúgio, além de contribuírem para o desenvolvimento de habilidades como equilíbrio e avaliação de riscos, segundo Ghion.
Os filhotes de onça-pintada dependem da mãe por um período prolongado. Uma pesquisa publicada no Journal of Mammalogy estimou a idade média de independência em 17,6 meses. Durante esse tempo, eles aprendem gradualmente a caçar, explorar o território e identificar locais seguros. O acompanhamento de Medrosa e seus filhotes oferece dados valiosos sobre esse processo.
O registro de Marcello Cavalcanti faz parte de uma longa relação com a onça Medrosa. O fotógrafo frequenta a região de Porto Jofre desde 2021 e já realizou mais de 170 avistamentos de onças. Ele já havia fotografado ninhadas anteriores de Medrosa e até mesmo um de seus filhotes mais velhos, Pantaneiro, já adulto, utilizando a mesma árvore.
Segundo a bióloga Julia Ghion, esse tipo de acompanhamento longitudinal de um mesmo indivíduo é extremamente valioso para a ciência, pois permite observar o tamanho das ninhadas, a sobrevivência dos filhotes e as mudanças de comportamento ao longo do tempo.
Medrosa é uma onça-pintada fêmea conhecida por fotógrafos, biólogos e guias que atuam na região do Parque Estadual Encontro das Águas, no Pantanal de Mato Grosso. Ela é monitorada desde 2021 e já foi registrada com outras ninhadas.
A foto foi tirada no Parque Estadual Encontro das Águas, localizado na região de Porto Jofre, em Poconé, a 104 km de Cuiabá, Mato Grosso. A cena ocorreu em um tronco sobre o Corixo Negro.
Registrar filhotes na natureza é um sinal positivo para a conservação da espécie. Como afirmou o fotógrafo, é "a continuidade da vida" e a prova de que os animais estão sobrevivendo e se reproduzindo com sucesso no habitat.
O flagrante da onça-pintada Medrosa com seus filhotes Selva e Kairo é mais do que uma bela imagem. Ele representa a vitalidade do Pantanal e oferece dados importantes para a compreensão do comportamento e da ecologia de um dos maiores felinos das Américas, reforçando a importância da conservação e do monitoramento contínuo da fauna local.
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