Com a vazão recorde do Rio Iguaçu, grades da passarela foram retiradas. Entenda a engenharia por trás da estrutura e a técnica que a mantém segura.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Diante da cheia histórica do Rio Iguaçu, que elevou a vazão das Cataratas a mais de 15 milhões de litros por segundo, as grades da passarela foram removidas como medida de segurança. Atualizado em 16 de outubro de 2026, este artigo explica como a engenharia garante que a estrutura principal resista à força da água.
A remoção das grades metálicas é um procedimento padrão de segurança acionado quando a vazão do Rio Iguaçu supera 9 milhões de litros por segundo com tendência de alta. Segundo o engenheiro civil Luiz Fernando Bernhoeft, a medida tem dois objetivos principais: reduzir a resistência à passagem da água e evitar que a estrutura funcione como uma "peneira", acumulando troncos, galhos e outros detritos que aumentariam a pressão sobre os pilares.
O protocolo de segurança do Parque Nacional do Iguaçu, gerenciado pela concessionária Urbia+Cataratas, estabelece que a passarela seja interditada para visitantes quando a vazão ultrapassa 8,5 milhões de litros por segundo.
A resistência da passarela não está no piso ou nas grades, mas em sua fundação. A estrutura é sustentada por uma técnica de engenharia chamada "estacas-raiz", projetada para suportar as forças extremas da água. Essa foi a solução encontrada após a passarela anterior, de 1970, ter sido levada por uma cheia na década de 1980.
De acordo com Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da empresa responsável pela fundação, a técnica consiste em perfurações de pequeno diâmetro que atravessam o solo e se embutem na rocha de basalto do leito do rio. Dentro dessas perfurações, são inseridas armaduras de aço e injetada uma mistura de cimento sob pressão. Esse processo cria uma ancoragem sólida na rocha, capaz de absorver os enormes esforços laterais exercidos pela correnteza.
A construção da passarela atual, iniciada em 1992, exigiu o desvio temporário do Rio Iguaçu para a instalação das fundações. Desde então, a estrutura é monitorada continuamente. Pequenos equipamentos chamados "prismas" são instalados nos pilares para permitir medições topográficas de alta precisão. Segundo André Franzini, gerente da concessionária, desde o início do monitoramento, não foi detectado nenhum deslocamento, nem mesmo milimétrico, nos pilares.
Sim. A estrutura anterior, inaugurada em 1970, foi destruída por uma forte cheia nos anos 1980. A passarela atual foi construída entre 1992 e 1993 com uma tecnologia de fundação muito mais robusta para resistir a eventos extremos.
O recorde histórico de vazão foi registrado em junho de 2014, quando o volume de água atingiu 46,3 milhões de litros por segundo, cerca de 30 vezes acima da média normal de 1,5 milhão de litros por segundo.
A reabertura ocorre apenas quando a vazão do rio diminui para um nível seguro, geralmente abaixo de 8,5 milhões de litros por segundo, e após uma vistoria completa de um engenheiro estrutural que emite um laudo técnico atestando a segurança da estrutura.
A passarela das Cataratas do Iguaçu é um exemplo de engenharia resiliente. Enquanto a remoção das grades é uma medida preventiva visível para proteger componentes e garantir a fluidez da água, a verdadeira força da estrutura reside em sua fundação de estacas-raiz, firmemente ancorada na rocha. Aliado a um monitoramento rigoroso, esse sistema garante a segurança de uma das atrações turísticas mais visitadas do Brasil, mesmo diante das cheias mais severas.
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