Registro inédito no Pantanal mostra ave usando plumagem para intimidar roedor que se aproximava de poça d'água durante a seca. Entenda por que o comportamento é raro.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um vídeo raro gravado no Pantanal de Miranda (MS) flagrou o momento em que um pavãozinho-do-pará (Eurypyga helias) abre suas asas coloridas para afugentar uma cutia que se aproximava de uma poça d'água. O registro, feito pelo fotógrafo de natureza Marcos Amend, documenta um comportamento de defesa pouco observado na espécie, especialmente em um contexto de disputa por recursos hídricos durante a seca. Atualizado em 6 de outubro de 2026.
A cena ocorreu durante o período de estiagem, quando a disponibilidade de água no Pantanal diminui drasticamente. Segundo especialistas, essa escassez faz com que a fauna se concentre nos poucos locais que ainda possuem água, aumentando a interação e a competição entre diferentes espécies. O fotógrafo relatou que a cutia tentou se aproximar da poça, mas o pavãozinho "se armou bem, se fez grandão com as penas pra afugentar a cutia e funcionou", garantindo seu acesso à água disputada.
O comportamento de abrir as asas é uma tática de intimidação do pavãozinho-do-pará, utilizada para surpreender e assustar possíveis predadores. Ao exibir subitamente o padrão colorido e os "olhos" desenhados em suas penas, a ave parece maior e mais perigosa. O que torna o registro de Amend notável é que essa exibição foi direcionada a uma cutia, que não é um predador natural da ave, conforme explicado pelo ornitólogo Fernando Igor de Godoy. A reação defensiva em uma situação atípica surpreendeu até mesmo pesquisadores e guias experientes da região, que afirmaram nunca ter presenciado uma interação semelhante.
O pavãozinho-do-pará é uma ave que habita margens de rios e áreas alagadas na Amazônia, Cerrado e Pantanal. Com as asas fechadas, sua plumagem tem tons discretos de marrom e cinza, proporcionando camuflagem. No entanto, quando abertas, revelam um padrão complexo com manchas brancas, pretas, vermelhas e amarelas. Além da defesa, essa exibição também é utilizada em rituais de acasalamento. A espécie alimenta-se principalmente de insetos, pequenos peixes e crustáceos.
O comportamento foi raro porque a exibição de asas é uma tática de defesa contra predadores, e a cutia não é um predador da ave. A interação, provavelmente motivada pela disputa por água, foi algo que guias e ornitólogos com décadas de experiência na região relataram nunca ter visto.
Não. Segundo especialistas, o mesmo recurso visual de abrir as asas e exibir a plumagem chamativa também é utilizado em exibições durante o período de reprodução para atrair parceiros.
A espécie é encontrada na América Central e do Sul. No Brasil, ocorre em grande parte da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal, vivendo principalmente em ambientes próximos à água, como margens de rios, lagos e igarapés.
O registro do fotógrafo Marcos Amend oferece um vislumbre valioso e raro do comportamento animal no Pantanal. A interação entre o pavãozinho-do-pará e a cutia não apenas documenta uma tática de defesa em um contexto incomum, mas também destaca a crescente pressão que a seca exerce sobre a fauna local, intensificando a competição por recursos vitais como a água.
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