Avanço do peixe-leão no sul da Bahia mobiliza autoridades após captura de centenas de exemplares. Entenda os riscos da espécie invasora para Abrolhos.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A captura de mais de 400 exemplares de peixe-leão (Pterois volitans) no litoral de Porto Seguro, no sul da Bahia, acendeu um alerta máximo para a biodiversidade marinha da região, especialmente após a confirmação da presença da espécie invasora no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Atualizado em 24 de setembro de 2026, o avanço do animal levou a prefeitura local a criar um plano de ação emergencial, que inclui o pagamento de recompensa a pescadores.
Nativo dos oceanos Índico e Pacífico, o peixe-leão é uma espécie exótica invasora que não possui predadores naturais no litoral brasileiro. Essa característica, somada à sua alta capacidade de reprodução e predação, representa uma grave ameaça ao ecossistema local. Segundo a oceanóloga Martina Rossato, gestora do Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, o peixe-leão "exerce uma pressão muito importante sobre as espécies nativas".
Os principais riscos associados à sua presença são:
Em resposta ao avanço da espécie, a prefeitura de Porto Seguro publicou em agosto o Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão. Uma das medidas mais diretas é um programa temporário que oferece uma recompensa de R$ 10 por exemplar capturado e entregue por pescadores à colônia Z-22. Apenas no primeiro mês da iniciativa, foram entregues 442 peixes-leão, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Os animais são encaminhados para estudos na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).
A estratégia visa não apenas remover os invasores do mar, mas também coletar dados sobre sua alimentação e reprodução para entender melhor a invasão. A prefeitura planeja reduzir o incentivo gradualmente e estruturar uma cadeia produtiva para o consumo do peixe, transformando o problema em uma oportunidade econômica sustentável.
A preocupação com o peixe-leão atingiu um novo patamar com a confirmação de sua presença no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, uma das áreas de maior importância para a biodiversidade do Atlântico Sul. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) confirmou os registros em agosto e já iniciou ações de monitoramento e manejo. A chegada do invasor a um ecossistema tão sensível e vital para a pesquisa e o turismo representa uma nova e séria pressão ambiental para a região.
A orientação dos órgãos ambientais é clara: não toque no animal. Mantenha distância segura, fotografe se possível e comunique o avistamento às autoridades locais ou canais de monitoramento, como o da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema). A captura só deve ser feita por pessoas capacitadas.
Sim, seus espinhos contêm uma toxina que pode causar acidentes dolorosos em humanos. O contato pode levar a dor, vermelhidão, febre e até convulsões. É fundamental evitar qualquer tipo de manipulação sem o equipamento e treinamento adequados.
Originário do Indo-Pacífico, o peixe-leão foi introduzido no Atlântico. A atual onda de invasão na costa brasileira, iniciada em 2020, tem origem provável na população já estabelecida no Caribe. Estudos indicam que a espécie conseguiu atravessar a barreira natural da foz dos rios Amazonas e Orinoco para se dispersar pelo litoral do Norte e Nordeste.
O avanço do peixe-leão na Bahia, agora com presença confirmada em Abrolhos, representa um dos maiores desafios ambientais para o litoral brasileiro. Embora iniciativas de controle como a de Porto Seguro sejam essenciais, pesquisadores alertam que a erradicação completa é improvável. O foco agora é no manejo contínuo para mitigar os impactos sobre a biodiversidade e as comunidades pesqueiras.
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