Pescadores removem 440 peixes-leão na Bahia em ação com recompensa de R$ 10 por exemplar. Entenda a ameaça da espécie invasora à pesca e ao turismo.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Pescadores em Porto Seguro, no sul da Bahia, capturaram 440 exemplares do peixe-leão (Pterois volitans), uma espécie exótica invasora que ameaça a biodiversidade local. Atualizado em 15 de outubro de 2026, o número reflete os resultados de uma iniciativa da prefeitura que remunera a captura para conter o avanço do animal, que põe em risco a pesca e o turismo na região.
A ação faz parte do Plano Municipal de Enfrentamento contra a bioinvasão, que oferece uma recompensa de R$ 10 por cada peixe-leão entregue à Colônia de Pescadores Z-22, conforme divulgado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Dos 440 indivíduos coletados desde a segunda quinzena de setembro, 430 foram encaminhados para análise científica na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).
O avanço do peixe-leão no litoral baiano, com registros confirmados até no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, levou a prefeitura de Porto Seguro a implementar um plano de ação em agosto. A estratégia emergencial inclui o pagamento de R$ 10 por exemplar como forma de mobilizar os pescadores, que possuem amplo conhecimento da região, para ajudar na remoção dos invasores.
Segundo a oceanóloga Martina Rossato, gestora do Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, a detecção e retirada precoce dos indivíduos aumentam as chances de reduzir os impactos da invasão. A prefeitura considera o incentivo financeiro uma medida temporária, com o objetivo de, a longo prazo, estruturar uma cadeia produtiva para o consumo seguro do pescado, criando um valor econômico que mantenha a pressão de captura sobre a espécie.
Nativo dos oceanos Índico e Pacífico, o peixe-leão não possui predadores naturais no Atlântico, o que permite sua rápida proliferação. A espécie é um predador voraz, que consome filhotes de peixes nativos e crustáceos, causando um grave desequilíbrio ecológico. Esse impacto ameaça diretamente as populações de espécies de interesse comercial, prejudicando a pesca e o turismo de mergulho em recifes.
Além do dano ambiental, o peixe-leão possui 18 espinhos venenosos que podem causar acidentes dolorosos em banhistas, mergulhadores e pescadores, com sintomas que incluem dor, febre e, em casos graves, convulsões. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente da Bahia (SEMA) já registrou a presença da espécie em 10 municípios. Estudos indicam que o invasor pode se espalhar por grande parte da costa brasileira, chegando até o litoral de Santa Catarina.
Os exemplares capturados são enviados ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (Lecomar) da UFSB. Lá, pesquisadores realizam estudos de biometria e analisam o conteúdo estomacal dos peixes para entender melhor seus hábitos alimentares e o impacto na fauna local. Essas informações são cruciais para ajustar as estratégias de controle.
Apesar de seus espinhos venenosos, a carne do peixe-leão é considerada segura para consumo e até uma iguaria. O veneno está localizado apenas nos espinhos, que devem ser removidos com cuidado durante o preparo. A cocção do peixe desnatura a toxina, tornando-o seguro para alimentação, embora o consumo de sua carne crua seja contraindicado.
A prefeitura de Porto Seguro paga uma recompensa de R$ 10 por cada exemplar de peixe-leão capturado e entregue na Colônia de Pescadores Z-22, como parte de um plano temporário de controle da espécie.
Sim, o peixe-leão possui 18 espinhos que contêm veneno, podendo causar acidentes dolorosos. No entanto, sua carne não é venenosa e pode ser consumida com segurança após a remoção cuidadosa dos espinhos e o cozimento.
O peixe-leão é uma espécie nativa dos oceanos Índico e Pacífico. Ele foi introduzido no Atlântico, provavelmente na Flórida (EUA) na década de 1980, e desde então tem se espalhado, tornando-se uma das espécies invasoras mais prejudiciais do mundo.
A captura de 440 peixes-leão em Porto Seguro evidencia a gravidade da invasão e a rápida resposta das autoridades locais. A colaboração entre poder público, pescadores e cientistas é fundamental para monitorar e controlar a expansão da espécie, protegendo a rica biodiversidade marinha da Bahia e as atividades econômicas que dela dependem.
Em 1992, 28.800 brinquedos caíram no Oceano Pacífico. Entenda como este acidente se tornou um experimento crucial para mapear correntes oceânicas e o plástico.
Um pinguim-de-magalhães foi flagrado em uma praia de Maricá (RJ). Entenda por que o fenômeno é comum e saiba o que fazer ao encontrar um animal marinho.
A captura de 314 peixes-leões em outubro em Fernando de Noronha acende alerta. Entenda por que a espécie invasora ameaça a biodiversidade local e o que está sendo feito.
Após mais de uma década de cuidados no Amapá, o peixe-boi Victor Maracá e a fêmea Perpétua iniciam complexa viagem ao Pará. Entenda as etapas.