Ameaçado por trutas introduzidas em 1864, o peixe Swan galaxias, da Tasmânia, tem apenas 6 mil indivíduos. Saiba como barreiras em rios o protegem.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma estratégia de conservação nos rios da Tasmânia, na Austrália, está criando refúgios para salvar um peixe nativo da extinção. Ameaçado pela predação da truta-marrom, uma espécie introduzida há mais de 160 anos, o Swan galaxias (Galaxias fontanus) teve sua população reduzida a cerca de 6.000 indivíduos. Atualizado em 12 de setembro de 2026.
Em 1864, ovos de truta-marrom (Salmo trutta) foram transportados da Inglaterra para a Tasmânia com o objetivo de desenvolver a pesca esportiva na ilha. A iniciativa foi um sucesso para os pescadores, mas teve consequências devastadoras para a fauna local. Conforme relatado pelo Catraca Livre e pelo Times of India, a espécie exótica se espalhou rapidamente pelos rios, tornando-se um predador eficiente que competia por alimento e habitat com os peixes nativos.
Sem predadores naturais nos ecossistemas da Tasmânia, a truta dominou os cursos de água, empurrando espécies endêmicas para áreas cada vez mais restritas.
O Swan galaxias é um pequeno peixe de água doce, sem escamas, que existe apenas no leste da Tasmânia. A predação contínua pela truta-marrom fez com que a espécie desaparecesse de grande parte de seu habitat original. De acordo com dados de conservação, restam apenas cerca de seis mil indivíduos na natureza, confinados a pequenas nascentes e riachos isolados.
Esses refúgios naturais são, em sua maioria, trechos de rios localizados acima de barreiras geográficas, como cachoeiras, que impedem a subida das trutas predadoras, conforme detalha a Revista Amazônia.
Para garantir a sobrevivência do Swan galaxias, biólogos e conservacionistas estão replicando a proteção oferecida pelas cachoeiras. O projeto, liderado por entidades como o Inland Fisheries Service e a NRM South, consiste em:
O monitoramento já indica que os peixes transferidos estão se reproduzindo com sucesso nos novos lares, representando a principal esperança para a recuperação da espécie.
A truta-marrom foi introduzida em 1864 a partir de ovos trazidos da Inglaterra. O objetivo era estabelecer uma robusta pesca recreativa e esportiva, uma prática popular da era vitoriana que transformou a Tasmânia em um destino para pescadores.
Estima-se que a população total do Swan galaxias seja de apenas cerca de 6.000 indivíduos, todos confinados a pequenos riachos isolados no leste da Tasmânia.
O trabalho de recuperação é uma colaboração entre a organização regional de gestão de recursos naturais NRM South e o Inland Fisheries Service, a agência governamental responsável pela gestão da pesca em águas interiores da Tasmânia.
A luta para salvar o Swan galaxias na Tasmânia é um exemplo claro das consequências duradouras da introdução de espécies exóticas. Mais de um século e meio depois, são necessários recursos e esforços significativos para corrigir um desequilíbrio ecológico. A criação de refúgios sem trutas oferece uma chance real de sobrevivência para este peixe nativo, destacando a importância de proteger a biodiversidade única de ecossistemas insulares.
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