Uma operação de manejo em Fernando de Noronha removeu 138 exemplares da espécie invasora. Entenda por que o peixe-leão ameaça a biodiversidade local.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Mergulhadores capturaram 138 peixes-leão em Fernando de Noronha nesta quarta-feira (28), reforçando o alerta sobre os riscos da espécie invasora para o ecossistema local. Atualizado em 29 de outubro de 2026.
A ação, realizada pela operadora de mergulho Sea Paradise e aprovada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ocorreu em um ponto conhecido como Cabeço 47, a 47 metros de profundidade, entre o Porto de Santo Antônio e a Praia da Conceição. O número expressivo se soma a outros 312 exemplares que já haviam sido retirados da região do porto no início do mês, conforme relatado por Fernando Rodrigues, coordenador da operação.
A captura faz parte de um esforço contínuo de monitoramento e controle da espécie em pontos já mapeados. "Estamos fazendo uma varredura em pontos onde já realizamos capturas e que fazem parte do roteiro de manejo. Esse local costuma reunir peixes-leão. Só não imaginávamos que encontraríamos tantos", afirmou Rodrigues ao G1. Ele destacou que a rápida reprodução do peixe-leão exige que as ações de captura não diminuam para evitar que a espécie domine a área.
O peixe-leão (Pterois volitans), nativo dos oceanos Índico e Pacífico, é considerado uma das principais ameaças à biodiversidade marinha no Atlântico por não possuir predadores naturais na região e por seu comportamento agressivo.
A espécie tem um apetite voraz, sendo capaz de consumir até 20 peixes nativos em apenas 30 minutos. Essa capacidade predatória, combinada com a ausência de um predador que controle sua população, causa um desequilíbrio significativo no ecossistema marinho, ameaçando diretamente as espécies locais.
A capacidade de proliferação do peixe-leão é alarmante. Cada fêmea pode liberar cerca de 30 mil ovos por desova, que eclodem em apenas quatro dias. A primeira aparição oficial da espécie em Fernando de Noronha foi registrada em dezembro de 2020, embora sua presença no Brasil date de 2014.
Sim. A espécie possui espinhos que liberam uma toxina capaz de causar dor intensa, vermelhidão, febre, náuseas e fraqueza muscular em humanos. Mesmo sem o veneno, os espinhos podem provocar ferimentos graves.
O impacto pode ser devastador. Em algumas regiões do Caribe, por exemplo, a invasão do peixe-leão foi responsável por reduzir em até 80% a população de peixes que habitam os recifes de corais, segundo dados do ICMBio.
As operações de controle são frequentes. Além dos 138 capturados nesta ação e dos 312 no início de outubro de 2026, uma captura recorde de 140 exemplares havia sido registrada em dezembro de 2024. Em fevereiro de 2025, foi capturado o maior peixe-leão do mundo, com 49 cm, também em Noronha.
A captura de 138 peixes-leão em uma única operação evidencia a gravidade da invasão da espécie em Fernando de Noronha. As ações contínuas de manejo coordenadas pelo ICMBio e parceiros locais são cruciais para proteger a biodiversidade única do arquipélago e mitigar os danos causados por este predador eficiente.
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