Ação de manejo na Reserva Rio Cautário, em Rondônia, remove 361 peixes e gera R$ 180 mil para extrativistas. Saiba como o peixe se tornou invasor na região.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Mais de 18 toneladas de pirarucu, uma espécie considerada invasora na bacia do Rio Cautário, foram retiradas da Reserva Extrativista (Resex) Rio Cautário, em Costa Marques (RO), em uma operação realizada entre agosto e outubro de 2026. A iniciativa, que visa o controle ambiental, capturou 361 peixes e gerou cerca de R$ 180 mil em renda para aproximadamente 40 trabalhadores extrativistas locais. Atualizado em 18 de outubro de 2026.
O trabalho de manejo foi dividido em duas fases e contou com o acompanhamento técnico da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (Sedam) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A primeira etapa, de 10 de agosto a 5 de setembro, resultou na captura de 159 peixes, somando mais de 11 toneladas. A segunda, entre 14 de setembro e 10 de outubro, retirou outros 202 exemplares, com quase 8 toneladas.
Durante a operação, um exemplar chamou a atenção por suas dimensões: 2,46 metros de comprimento e quase 138 quilos. Segundo a Sedam, é o maior pirarucu já registrado em uma unidade de conservação de Rondônia.
Além do controle ecológico, a ação teve um forte impacto positivo na economia local. Os cerca de 40 extrativistas envolvidos, representados pela Associação dos Seringueiros do Vale do Guaporé (Aguapé), participaram de todas as etapas, da pesca à limpeza. A atividade movimentou aproximadamente R$ 180 mil, garantindo uma renda individual de cerca de R$ 6 mil para quem atuou nas duas fases, conforme divulgado por fontes do governo de Rondônia.
Apesar de ser um símbolo da Amazônia, o pirarucu (Arapaima gigas) não é nativo da bacia do alto rio Madeira, onde se localiza o Rio Cautário. De acordo com um estudo publicado na revista científica PLOS ONE, a espécie ocorria originalmente nas várzeas dos rios Solimões-Amazonas e Tocantins-Araguaia. Sua introdução na região do Guaporé começou entre as décadas de 1960 e 1980, a partir de solturas no Peru para piscicultura. Com as cheias, os peixes se espalharam e colonizaram novos territórios, onde hoje são considerados invasores por representarem uma ameaça ao equilíbrio ecológico e às espécies nativas.
O pirarucu não é nativo da bacia do alto rio Madeira. Ele foi introduzido por ação humana em rios do Peru décadas atrás e se espalhou pela região, podendo causar desequilíbrio nos ecossistemas locais ao competir com espécies nativas.
Foram capturados 361 pirarucus nas duas fases da operação, totalizando mais de 18 toneladas de pescado, segundo dados da Sedam.
O manejo tem um duplo objetivo: controlar a população de uma espécie invasora para proteger a biodiversidade local e, ao mesmo tempo, gerar renda de forma sustentável para as comunidades extrativistas que vivem na reserva.
O manejo do pirarucu invasor na Resex Rio Cautário se destaca como uma iniciativa bem-sucedida que une conservação ambiental e desenvolvimento social. Ao transformar um problema ecológico em uma oportunidade econômica para as comunidades tradicionais, o projeto reforça a importância da gestão participativa e do conhecimento local na proteção da Amazônia.
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