Fenômeno geotérmico no Peru não é causado pelo sol; águas podem provocar queimaduras de terceiro grau em segundos e cozinhar animais vivos.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 1 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Na Amazônia peruana, um fenômeno natural impressiona e alerta cientistas: o rio Shanay-timpishka, cujas águas podem ultrapassar os 90°C, temperatura suficiente para cozinhar animais vivos e causar queimaduras graves em humanos. O local se tornou um importante laboratório natural para entender os efeitos do aquecimento global sobre ecossistemas tropicais.
Apesar de seu nome indígena significar "fervido pelo calor do sol", a ciência explica que a alta temperatura não vem da incidência solar. O aquecimento é resultado de um processo geotérmico: águas subterrâneas aquecidas nas profundezas da Terra emergem à superfície através de falhas geológicas. O geocientista peruano Andrés Ruzo, que estuda o local, já mediu temperaturas próximas a 100°C.
O calor extremo representa uma armadilha mortal para a fauna. Segundo Ruzo, animais que caem no rio não têm chance de sobreviver. "A primeira coisa a se perder são os olhos. Eles ficam com uma cor branco-leitosa. Eles tentam nadar para fora, mas a carne vai cozinhando nos ossos porque está muito quente", descreveu o pesquisador.
Cientistas dos Estados Unidos e do Peru veem o rio como um modelo para estudar o impacto do calor extremo. Em 2024, uma pesquisa instalou 13 sensores na região, que registraram temperaturas do ar de até 45°C nas áreas mais quentes, em contraste com a média de 24°C em locais mais afastados. O estudo também revelou que, quanto mais quente a área, menor a diversidade de plantas. Espécies resistentes, como a árvore Ceiba, sobrevivem, enquanto outras, como a Guarea grandifolia, desaparecem.
Além do valor científico, o Shanay-timpishka é considerado um local sagrado por comunidades amazônicas. Especialistas alertam que a preservação da floresta é crucial em escala global. "Se a floresta desaparecer, muito do carbono vai para a atmosfera e isso vai afetar o clima. Não é apenas local, é global", afirmou Chris Boulton, pesquisador da Universidade de Exeter, à BBC.
Após mais de 40 anos em Sorocaba, o elefante Sandro demonstra rápida adaptação em santuário no MT, optando por passar a noite na mata. Veja os detalhes.
A conservacionista Farina Othman luta para proteger os elefantes de Bornéu, ameaçados pela expansão do óleo de palma na Malásia. Conheça seu trabalho.
Espécie classificada como 'Em Perigo' pela IUCN foi registrada em área de preservação da Usina Hidrelétrica Colíder. Saiba mais sobre a ave e a importância do flagrante.
Aos 51 anos, Angelina Jolie transformou 39 hectares de floresta no Camboja em uma reserva que protege elefantes e gera empregos. Entenda o projeto.