Após quase três semanas de tratamento na UFU, em Uberlândia, anfíbio se recupera de ferimentos, intoxicação e úlcera de córnea e retorna ao seu habitat.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 11 de outubro de 2026. Um sapo-cururu, apelidado de Naveen, foi devolvido à natureza em Uberlândia (MG) após passar quase três semanas em tratamento intensivo no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O anfíbio havia sido resgatado com múltiplos ferimentos e sinais de intoxicação depois de ser atacado por um cão.
O sapo foi encontrado por uma moradora do bairro Nossa Senhora das Graças em 17 de setembro, após ser atacado pelo cachorro da família. A mulher separou os animais e, no dia seguinte, levou o anfíbio para o hospital veterinário da UFU, conforme relatado pelo G1. Ao chegar, Naveen apresentava inchaço, feridas leves na pele e sintomas neurológicos, como dificuldade para manter a posição normal.
A equipe veterinária, liderada pelo professor Márcio de Barros Bandarra, realizou uma bateria de exames, incluindo raio-x e análises de sangue. Os resultados apontaram uma série de problemas: intoxicação por amônia, constipação, uma luxação em um dos dedos da pata e uma úlcera de córnea, de acordo com informações do portal Metrópoles.
O tratamento não exigiu cirurgias. A equipe criou um ambiente com umidade controlada para ajudar o sapo a eliminar a amônia, o que resolveu os sintomas neurológicos. A constipação e a luxação também foram curadas com o manejo adequado. Para a úlcera de córnea, Naveen recebeu colírio e passou por um exame de vista com corante para confirmar a cicatrização completa da lesão, segundo o portal R7.
O caso de Naveen também destaca o papel fundamental dos sapos-cururus no equilíbrio ambiental. Esses anfíbios são predadores naturais de insetos e ajudam a controlar populações de mosquitos, pernilongos e outros pequenos animais. Conforme explicado por especialistas ao G1, esse controle pode ter um impacto indireto na saúde humana, já que ajuda a reduzir a proliferação de vetores de doenças como dengue e chikungunya.
A orientação dos veterinários é não tentar capturar ou manipular o animal. O ideal é afastar animais domésticos, como cães e gatos, e procurar ajuda especializada para o manejo seguro do anfíbio. O contato direto não é recomendado.
O sapo-cururu possui glândulas na pele que produzem uma substância que pode causar irritação e intoxicação se entrar em contato com os olhos ou a boca. Essa substância é liberada principalmente quando o animal é pressionado ou atacado. Ele não lança veneno à distância, mas o contato direto deve ser evitado.
A recuperação bem-sucedida de Naveen e seu retorno à natureza reforçam a importância dos centros de reabilitação de fauna silvestre e servem como um lembrete sobre o papel vital que cada espécie, mesmo as mais comuns, desempenha no ecossistema urbano e natural.
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