Cientistas despejaram 62 mil litros de hidróxido de sódio no oceano em um experimento inédito. Entenda como a técnica busca aumentar a absorção de CO2.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Cientistas da Instituição Oceanográfica de Woods Hole (WHOI) realizaram um experimento inédito no Golfo do Maine, nos Estados Unidos, liberando cerca de 62 mil litros de hidróxido de sódio, conhecido como soda cáustica, no oceano. Atualizado em 15 de setembro de 2026, o teste teve como objetivo avaliar uma técnica chamada "Aumento da Alcalinidade Oceânica", que busca ampliar a capacidade natural do mar de absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e, assim, combater a acidificação das águas.
O oceano absorve naturalmente entre 25% e 30% das emissões de carbono geradas pela atividade humana, o que o torna um regulador climático crucial. No entanto, esse processo aumenta a acidez da água, prejudicando organismos como corais e moluscos, conforme detalhado por estudos sobre o tema. A técnica testada pelos pesquisadores visa neutralizar essa acidez.
Ao adicionar uma substância alcalina como a soda cáustica, o equilíbrio químico da água é alterado. O hidróxido de sódio ajuda a converter o carbono dissolvido em bicarbonato, uma forma mais estável. Isso permite que a superfície do oceano capture mais CO2 da atmosfera sem aumentar a acidez, funcionando como um "antiácido" para o mar, segundo a CNN Brasil.
A liberação controlada da solução alcalina ocorreu durante aproximadamente seis horas. Para rastrear a dispersão do material, os cientistas adicionaram um corante inofensivo chamado rodamina, que tingiu uma grande área do mar com uma cor rosa brilhante. O monitoramento foi intenso e durou cinco dias, utilizando uma combinação de tecnologias:
Os resultados preliminares, apresentados em 2026, foram considerados positivos. De acordo com a WHOI, o pH da água retornou aos níveis normais dentro do prazo previsto pelos modelos matemáticos. A análise também confirmou que a área tratada conseguiu absorver dióxido de carbono da atmosfera.
Um dos pontos mais importantes do estudo foi a avaliação do impacto ambiental. As análises biológicas não encontraram danos mensuráveis em bactérias, plâncton, larvas de peixes ou larvas de lagosta expostas à solução, como reportado por veículos como o portal iG e O Antagonista. Isso indica que, na escala e duração do teste, a intervenção foi segura para a vida marinha local.
A coloração rosa não veio da soda cáustica, que é incolor. Ela foi causada por um corante rastreador chamado rodamina, adicionado à solução para permitir que os cientistas monitorassem visualmente e com sensores o deslocamento e a diluição da mancha de água tratada.
Embora a soda cáustica seja uma substância corrosiva em altas concentrações, no experimento ela foi liberada de forma diluída e se dispersou rapidamente. Os resultados preliminares não mostraram impactos negativos mensuráveis na vida marinha local. No entanto, os pesquisadores alertam que os efeitos de uma aplicação em larga escala ainda são desconhecidos e exigem mais estudos.
Não. Os próprios cientistas afirmam que o aumento da alcalinidade oceânica não substitui a necessidade urgente de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A técnica é vista como uma possível ferramenta complementar para mitigar parte dos impactos climáticos, mas sua aplicação em escala global enfrenta enormes desafios logísticos, financeiros e ecológicos.
O teste com soda cáustica no Golfo do Maine representa um passo importante para validar a geoengenharia como uma ferramenta de combate à crise climática. Embora os resultados iniciais sejam promissores em pequena escala, a viabilidade de aplicar a técnica globalmente ainda é incerta. A pesquisa continua para determinar a segurança e a eficácia do método a longo prazo antes de qualquer expansão.
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