Após 17 anos de um projeto de reintrodução na Argentina, o tamanduá-bandeira volta a se reproduzir livremente e a cruzar fronteiras. Saiba como a espécie está recuperando seu território.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em 2007, um projeto de reintrodução soltou um casal de tamanduás-bandeira nos Esteros del Iberá, na província de Corrientes, Argentina, onde a espécie havia sido extinta décadas antes. Dezessete anos depois, a iniciativa mostra resultados notáveis: novas gerações nascem e vivem livres, e a população se expande a ponto de indivíduos serem avistados a centenas de quilômetros de distância, inclusive no Brasil. Atualizado em 22 de junho de 2026.
O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) desapareceu de vastas áreas de sua distribuição original, como a província de Corrientes e o estado do Rio Grande do Sul, principalmente devido à caça e à perda de habitat para a expansão agropecuária, conforme apontam as organizações envolvidas no projeto. A espécie, que se alimenta de formigas e cupins, depende de ambientes conservados para sobreviver.
Iniciado em 2007 pela Fundação Rewilding Argentina em parceria com o governo de Corrientes, o projeto começou com a soltura de um único casal. Desde então, mais de 100 tamanduás foram reintroduzidos, muitos deles filhotes órfãos resgatados em outras províncias argentinas onde suas mães foram vítimas da caça ou de atropelamentos, segundo a Super Rádio Tupi.
O processo envolveu um protocolo rigoroso para garantir o sucesso da iniciativa:
O sucesso de um projeto de reintrodução é medido pela capacidade da população de se manter sem intervenção humana. No caso de Iberá, os resultados são evidentes em múltiplas frentes.
O sinal mais importante é que os tamanduás reintroduzidos se reproduziram, e seus filhotes, nascidos na natureza, também chegaram à vida adulta. De acordo com a Rewilding Argentina, já existem cinco núcleos populacionais autossustentáveis no parque, com uma população estimada em cerca de 200 indivíduos.
Com a população consolidada, os animais começaram a se dispersar naturalmente. Indivíduos foram registrados a até 200 quilômetros dos pontos de soltura originais, ocupando propriedades rurais vizinhas e outras áreas, conforme relatado por O Antagonista.
Em agosto de 2023, uma armadilha fotográfica registrou um tamanduá-bandeira no Parque Estadual do Espinilho, no Rio Grande do Sul, pela primeira vez em cerca de 130 anos. Especialistas, como a veterinária Flávia Miranda, presidente do Instituto Tamanduá, afirmam ser "quase certo" que o animal tenha vindo da população reintroduzida em Iberá, dada a proximidade geográfica.
O tamanduá-bandeira desempenha um papel ecológico crucial, controlando populações de formigas e cupins. Sua presença é considerada um indicador da saúde ambiental, sinalizando que o ecossistema local possui recursos e conectividade para sustentar grandes mamíferos, como informa o portal Mongabay.
Não. Apesar do sucesso do projeto, a espécie continua vulnerável. As principais ameaças são atropelamentos em estradas, perda e fragmentação de habitat, incêndios florestais, caça ilegal e ataques de cães domésticos. A proteção de corredores ecológicos é fundamental para garantir a expansão segura da população.
A história do retorno do tamanduá-bandeira aos Esteros del Iberá e seu reaparecimento no Brasil é um marco para a conservação na América do Sul. O projeto demonstra que iniciativas de reintrodução bem planejadas e de longo prazo podem reverter extinções locais e restaurar a fauna nativa. O desafio agora é garantir que as paisagens por onde esses animais se expandem sejam seguras, conectando áreas protegidas e mitigando as ameaças humanas.
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