Após 180 anos, tartarugas com DNA da extinta população de Floreana são reintroduzidas em um marco para a conservação. Entenda como a descoberta aconteceu.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 16 de agosto de 2026. Pela primeira vez em mais de 180 anos, tartarugas-gigantes voltaram a habitar a Ilha Floreana, em Galápagos. O retorno histórico, parte de um dos maiores projetos de restauração do arquipélago, envolve 158 animais juvenis que, embora não sejam nativos da ilha, carregam o DNA de seus ancestrais extintos, encontrados em uma população isolada.
A Ilha Floreana foi a primeira do arquipélago de Galápagos a ser colonizada e, no passado, serviu como centro para baleeiros e piratas. A espécie original de tartaruga-gigante local, Chelonoidis niger niger, foi caçada intensamente para alimentação por navegadores até sua extinção em meados do século XIX, conforme registros da National Geographic e da Wikipédia.
Além da caça, a introdução de espécies invasoras como ratos, gatos, cabras e porcos pelos humanos devastou o ecossistema. Esses animais competiram por recursos ou predaram os animais nativos, contribuindo para o desaparecimento de dez das 22 espécies de aves da ilha e, claro, das tartarugas-gigantes.
A esperança de restaurar a população de Floreana surgiu no ano 2000. Exames genéticos revelaram que algumas tartarugas que viviam no Vulcão Wolf, na Ilha Isabela, eram descendentes diretas da linhagem extinta de Floreana. Essa descoberta acidental deu início a um ambicioso programa de reprodução em cativeiro.
Durante mais de uma década, conservacionistas criaram 720 tartarugas híbridas. Os 158 juvenis soltos em fevereiro de 2026, com idades entre 7 e 15 anos, possuem de 40% a 80% do material genético da espécie original, representando um passo crucial para recuperar o perfil genético da população histórica.
As tartarugas-gigantes são consideradas "engenheiras do ecossistema". Sua presença é fundamental para a saúde da ilha, pois elas dispersam sementes, abrem caminhos na vegetação e moldam a paisagem, criando habitats para outras espécies. Segundo a Fundação Charles Darwin, seu retorno é decisivo para a regeneração natural das plantas nativas.
Este evento é apenas a primeira fase do Projeto de Restauração Ecológica de Floreana, que prevê a reintrodução de um total de 12 espécies nativas. O objetivo não é apenas devolver um animal, mas reconstruir as relações ecológicas perdidas há quase dois séculos.
Foram soltas 158 tartarugas juvenis na primeira fase do projeto de reintrodução, que ocorreu em fevereiro de 2026. O plano completo prevê a soltura de centenas de outros indivíduos nos próximos anos.
Não exatamente. Elas são híbridas, criadas em cativeiro a partir de indivíduos encontrados no Vulcão Wolf que possuem forte ancestralidade da linhagem de Floreana (Chelonoidis niger niger), extinta localmente. Elas carregam uma alta porcentagem do DNA original.
Elas são consideradas "espécies-chave". Ao se alimentarem e se moverem, dispersam sementes, abrem clareiras na vegetação e ajudam a manter o equilíbrio ecológico, beneficiando muitas outras espécies de plantas e animais, como as aves que precisam de ambientes abertos para nidificar.
O retorno das tartarugas-gigantes à Ilha Floreana é um marco histórico para a conservação mundial. Fruto de décadas de pesquisa genética e esforço colaborativo, a iniciativa representa a esperança de reverter danos causados pela ação humana e restaurar um dos ecossistemas mais icônicos do planeta, o mesmo que inspirou Charles Darwin.
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