Cientistas registram, pela primeira vez, tubarões-brancos em recifes de coral no Golfo do México. Um macho repete uma jornada anual de 9.200 km, mudando o que se sabe sobre a espécie.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A inédita presença de tubarões-brancos em recifes de coral no Golfo do México revelou uma surpreendente rota migratória anual de pelo menos 9.200 quilômetros. Atualizado em 22 de junho de 2026, um estudo documentou pela primeira vez a passagem da espécie pelo Santuário Marinho Nacional de Flower Garden Banks, nos Estados Unidos, alterando a compreensão sobre os deslocamentos de um dos maiores predadores do oceano.
A descoberta foi possível graças à tecnologia de rastreamento acústico. Pesquisadores registraram nove tubarões-brancos — seis fêmeas e três machos — passando pelos bancos de coral do santuário entre 2022 e 2025, conforme detalha um estudo publicado na revista Frontiers in Marine Science. Os animais não foram vistos a olho nu; sua presença foi captada por receptores submersos que detectaram os sinais de transmissores instalados nos tubarões anos antes na costa leste dos EUA, em Massachusetts e na Carolina do Sul, segundo a Super Rádio Tupi.
Um dos tubarões, um macho, destacou-se por repetir um percurso de ida e volta entre o Golfo de São Lourenço, no Canadá, e o Golfo do México por três anos consecutivos. Essa jornada anual soma, no mínimo, 9.200 quilômetros, evidenciando um comportamento de retorno fiel a um local específico, conhecido como filopatria.
O tubarão-branco (Carcharodon carcharias) é comumente associado a águas temperadas e frias, o que torna sua presença em recifes de coral tropicais um evento notável. De acordo com o Olhar Digital, a ausência de registros anteriores se deve ao fato de que as passagens são extremamente rápidas: nenhum animal permaneceu mais de um dia no mesmo ponto. Essa velocidade explica por que mergulhadores e robôs submarinos, que monitoram a área há mais de 35 anos, nunca haviam flagrado a espécie.
A pesquisa reforça que santuários marinhos são cruciais não apenas para proteger habitats fixos, mas também para salvaguardar corredores migratórios vitais que conectam ecossistemas distantes. Como aponta o Correio Braziliense, a conservação de espécies móveis como o tubarão-branco exige uma visão ampla, que considere a conexão entre áreas costeiras, águas profundas e mar aberto.
A descoberta no Santuário de Flower Garden Banks, localizado a cerca de 200 km da costa do Texas e da Louisiana, demonstra que mesmo áreas protegidas longe da costa podem desempenhar um papel fundamental nas rotas de grandes predadores. Isso orienta futuras estratégias de conservação para focar na proteção de redes de habitats interligados.
O estudo detectou um total de nove tubarões-brancos (seis fêmeas e três machos) no Santuário Marinho Nacional de Flower Garden Banks entre os anos de 2022 e 2025, utilizando tecnologia de monitoramento acústico.
Não. As visitas foram rápidas, com nenhum animal permanecendo mais de um dia no mesmo local. Os recifes funcionam como um ponto de passagem em uma longa rota migratória, e não como um habitat permanente para a espécie.
Um dos tubarões machos monitorados repetiu por três anos uma rota de ida e volta entre o Canadá e o Golfo do México. O percurso anual soma pelo menos 9.200 quilômetros, uma das mais longas migrações documentadas para a espécie.
O registro de tubarões-brancos nos recifes do Golfo do México é um marco para a biologia marinha. Ele não apenas revela uma rota migratória de 9.200 km, mas também destaca a importância de santuários marinhos como corredores ecológicos. A descoberta, viabilizada por tecnologia de rastreamento, mostra que ainda há muito a aprender sobre os gigantes dos oceanos e como protegê-los de forma eficaz.
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