Conhecido como 'ave fantasma', o raro urutau-de-asa-branca foi filmado pela 1ª vez no Parque Nacional do Descobrimento, na Bahia. O registro da espécie, criticamente ameaçada, reforça a importância da conservação da Mata Atlântica.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma equipe de pesquisadores e líderes indígenas registrou em vídeo, pela primeira vez, o raro urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus) no Parque Nacional do Descobrimento, no sul da Bahia. Conhecida como 'ave fantasma' por sua camuflagem, a espécie é endêmica da Mata Atlântica e está criticamente ameaçada de extinção. Atualizado em 20 de outubro de 2026.
O avistamento histórico ocorreu durante a segunda campanha de campo para a criação de um guia de aves do parque, prevista para ser lançada em 2027. Segundo o relato da equipe, a vocalização da ave foi ouvida desde o início do monitoramento em outubro, mas o registro visual e a filmagem só foram possíveis no último dia da expedição, conforme divulgado pelo portal Terra da Gente.
“Descobrir ela aqui, e fazer esse primeiro registro da ave para a unidade foi emocionante, o achado fortalece a importância da conservação e proteção da natureza”, comentou Jaílson Souza, condutor de visitantes que garantiu as imagens. Carlos Silva, de nome indígena Piatã Pataxó, condutor e liderança do povo Pataxó, também destacou o momento como "uma vitória".
O urutau-de-asa-branca é uma ave noturna que mede quase 30 centímetros e se destaca por uma mancha branca nas asas, que lhe dá o nome popular. Sua principal característica é a habilidade de se camuflar perfeitamente em galhos de árvores, o que a torna extremamente difícil de ser vista e lhe rendeu o apelido de 'ave fantasma'.
A espécie é considerada um enigma na ornitologia, tendo ficado mais de 150 anos sem ser encontrada. Sua população é restrita a fragmentos bem preservados de Mata Atlântica nos estados da Bahia e Espírito Santo. O ICMBio classifica a ave como "criticamente em perigo", com estimativas populacionais que já chegaram a ser inferiores a 50 indivíduos adultos.
O registro inédito reforça o papel do Parque Nacional do Descobrimento como um refúgio vital para espécies ameaçadas. "O Parque Nacional é o maior fragmento de floresta de tabuleiro do Nordeste [...] a ocorrência do urutau-de-asa-branca reforça isso", afirmou Rafaela Campostrini Forzza, pesquisadora do ICMBio no parque.
Com a descoberta, o urutau-de-asa-branca se tornará uma espécie-bandeira para a conservação local, unindo turismo de observação de aves, proteção ambiental e cultura indígena. A expedição contou com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto Maturembá e do WWF.
A espécie é endêmica da Mata Atlântica, ocorrendo apenas em áreas florestais preservadas na região costeira da Bahia e do Espírito Santo. Existe também uma população conhecida na Amazônia, mas acredita-se que seja um táxon diferente, ainda não descrito formalmente pela ciência.
Ele recebe esse apelido por sua incrível capacidade de camuflagem. A ave permanece pousada na ponta de um galho, completamente imóvel, parecendo ser parte da madeira, o que a torna quase invisível na natureza.
O urutau-de-asa-branca está classificado como "criticamente em perigo" de extinção. A principal ameaça à sua sobrevivência é a perda e fragmentação de seu habitat, as florestas de Mata Atlântica.
A primeira filmagem do urutau-de-asa-branca no Parque Nacional do Descobrimento é um marco para a ornitologia e para a conservação no Brasil. O registro não apenas confirma a presença da ave na unidade de conservação, mas também sublinha a urgência de proteger os últimos remanescentes de Mata Atlântica, que servem de abrigo para espécies tão raras e ameaçadas.
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