Conheça o programa Mutirão de Reflorestamento, que há 40 anos recupera encostas e nascentes no Rio de Janeiro com espécies nativas da Mata Atlântica. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Sustentabilidade · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A cidade brasileira que se destacou pelo plantio de 11 milhões de árvores nativas é o Rio de Janeiro. A iniciativa faz parte do programa Mutirão de Reflorestamento, criado em 1980 pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC) para recuperar áreas degradadas, como encostas e nascentes. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Iniciado há mais de 40 anos, o Mutirão de Reflorestamento surgiu da necessidade de conter os efeitos da urbanização sobre os morros cariocas, que hoje representam 7% da área urbanizada da cidade, segundo a SMAC. O programa foi integrado ao projeto Refloresta Rio e se tornou uma das maiores iniciativas de restauração ambiental urbana do Brasil.
A estrutura do projeto conta com cinco viveiros que produzem mais de um milhão de mudas anualmente, abrangendo 200 espécies de árvores e 130 de arbustos nativos da Mata Atlântica. De acordo com a prefeitura, a população local também participa ativamente, com mais de 10 mil voluntários registrados e um auxílio financeiro para mutirantes que auxiliam no plantio e manutenção.
O reflorestamento com espécies nativas gera múltiplos benefícios ambientais e sociais, sendo crucial para a resiliência da cidade.
As raízes das árvores plantadas ajudam a estabilizar o solo das encostas, reduzindo significativamente os riscos de erosão e deslizamentos. A vegetação recompõe a camada orgânica do solo, que amortece o impacto das chuvas e aumenta a infiltração de água, protegendo os morros de enxurradas, conforme detalhado pela SMAC.
Florestas restauradas melhoram a qualidade do solo e diminuem o aporte de sedimentos para rios e nascentes. Estudos indicam que a substituição de uma área degradada por um modelo de reflorestamento pode reduzir em até 80% a quantidade de sedimentos que poluem os corpos hídricos.
As florestas em crescimento atuam como importantes sumidouros de carbono. Análises de projetos de silvicultura de nativas mostram um potencial para retirar até 12,5 toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2eq) da atmosfera por hectare ao ano, contribuindo para as metas climáticas.
O sucesso do Rio de Janeiro contrasta com o cenário nacional. O Brasil assumiu o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, como parte do Acordo de Paris. No entanto, segundo o Observatório da Restauração e Reflorestamento, apenas 0,65% dessa meta foi cumprida por meio de plantio ativo desde 2016. A iniciativa carioca, com sua longevidade e escala, serve como um modelo de como políticas públicas contínuas podem gerar resultados concretos.
O programa Mutirão de Reflorestamento foi responsável pelo plantio de cerca de 11 milhões de árvores e arbustos nativos ao longo de 40 anos. Dados mais recentes da prefeitura indicam que, desde 1986, o total ultrapassa 10 milhões de mudas, com 366 mil plantadas apenas entre 2021 e 2023.
São utilizadas mais de 200 espécies de árvores e 130 de arbustos nativos da Mata Atlântica, além de herbáceas e trepadeiras. As equipes técnicas selecionam as espécies com maior potencial de sobrevivência para cada área, considerando fatores como solo, insolação e nível de degradação.
Sim. O programa, parte do Refloresta Rio, continua ativo e atua em 94 dos 162 bairros da cidade. Um dos projetos em andamento é o reflorestamento da Serra da Posse, na Zona Oeste, que visa conectar áreas dos maciços da Pedra Branca e do Mendanha, formando um corredor ecológico vital.
O programa de reflorestamento do Rio de Janeiro é um exemplo de sucesso e resiliência. Ao longo de quatro décadas, a iniciativa não apenas transformou a paisagem da cidade, tornando-a mais segura e verde, mas também se consolidou como um modelo de restauração ambiental urbana que pode inspirar outras regiões do Brasil a cumprirem suas metas de recuperação florestal.