Trabalhadores demitidos pela Casas Bahia cobram verbas rescisórias atrasadas em ato no Rio de Janeiro. Entenda a disputa judicial e a situação dos pagamentos.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Ex-funcionários do Grupo Casas Bahia realizaram um protesto em frente a uma loja em Bonsucesso, no Rio de Janeiro, queimando uniformes para cobrar o pagamento de verbas rescisórias atrasadas. Atualizado em 10 de setembro de 2026. O ato, apoiado pelo Sindicato dos Comerciários, denuncia a situação de milhares de trabalhadores demitidos em agosto, dias antes de a empresa entrar com um pedido de recuperação judicial.
O principal motivo do protesto é o atraso no pagamento dos direitos trabalhistas de cerca de 1.900 a 3.000 funcionários desligados em agosto. Segundo o Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, muitos ex-colaboradores ainda não receberam os valores devidos e alguns estão recorrendo a "vaquinhas" para arcar com despesas básicas, conforme noticiado pelo Correio 24 Horas.
Durante a manifestação, os trabalhadores queimaram camisetas e bonés da empresa como um ato simbólico. Márcio Ayer, presidente do sindicato, afirmou que os uniformes poderiam ser guardados como recordação de anos de dedicação, mas a "empresa jogou tudo isso no lixo", segundo o portal ND Mais. O sindicato promete novos atos até que todos os direitos sejam quitados.
As demissões ocorreram poucos dias antes de o Grupo Casas Bahia protocolar um pedido de recuperação judicial, com dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões. O sindicato aponta que a proximidade entre os desligamentos e o pedido judicial pode ter sido uma estratégia para adiar o pagamento das verbas rescisórias, de acordo com relatos do A Tarde. Além das demissões, a empresa fechou quase 300 lojas como parte de sua reestruturação.
A entidade sindical também questiona a forma como os desligamentos foram conduzidos. Há relatos de que funcionários com estabilidade, como gestantes e jovens aprendizes, foram dispensados. Outros teriam sido demitidos por WhatsApp, mesmo com décadas de serviço na empresa, segundo o Correio 24 Horas.
A Justiça do Trabalho considerou as demissões em massa ilegais e determinou a suspensão dos desligamentos, com a reintegração provisória dos trabalhadores e o restabelecimento de benefícios como o plano de saúde. A decisão, da 11ª Vara do Trabalho do Distrito Federal, foi baseada na ausência de negociação prévia com o sindicato da categoria, um procedimento considerado necessário pela legislação. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a liminar, mas o Grupo Casas Bahia continua recorrendo da decisão, conforme informado pelo FolhaMax.
Procurado pela imprensa, o Grupo Casas Bahia afirmou que os valores relacionados aos desligamentos passaram a seguir as regras do processo de recuperação judicial. A empresa declarou que os créditos trabalhistas têm tratamento prioritário, mas os prazos e condições de pagamento serão definidos pela Justiça. Segundo o portal GMC Online, a companhia também informou que as orientações para acesso ao seguro-desemprego e saque do FGTS foram disponibilizadas conforme a legislação.
As fontes sindicais estimam que entre 1.900 e 3.000 trabalhadores foram demitidos em todo o país durante o mês de agosto, pouco antes do pedido de recuperação judicial da empresa.
A Justiça do Trabalho considerou os desligamentos irregulares porque ocorreram sem a participação e negociação prévia com o sindicato da categoria, um requisito estabelecido pela legislação para demissões coletivas.
A empresa afirma que os pagamentos seguirão as regras do processo de recuperação judicial, que prioriza créditos trabalhistas. As condições e os prazos para a quitação dos valores serão definidos no âmbito do processo, com acompanhamento judicial.
A queima de uniformes por ex-funcionários da Casas Bahia simboliza a frustração e a dificuldade financeira enfrentada por milhares de trabalhadores após demissões em massa. Enquanto a empresa passa por uma reestruturação financeira sob recuperação judicial, uma batalha legal se desenrola para garantir o pagamento dos direitos trabalhistas, com decisões judiciais favoráveis aos empregados, mas ainda contestadas pela varejista.
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