Nova lei municipal em Passos (MG) veta o uso de 'enforca-gatos' em cirurgias de castração em clínicas públicas e privadas. Entenda os prazos e a medida.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A cidade de Passos, no Sul de Minas, sancionou uma nova lei municipal que proíbe o uso de abraçadeiras de nylon, popularmente conhecidas como 'enforca-gatos', em cirurgias de castração de animais. A medida, que prevê multa de R$ 2,5 mil para quem descumprir a norma, foi motivada pela repercussão do caso da cadela Chiara, que morreu após um procedimento semelhante em Três Corações. Atualizado em 4 de novembro de 2026.
A legislação se aplica tanto a clínicas veterinárias públicas quanto privadas do município. Os estabelecimentos terão um prazo de 90 dias para se adequar à nova regra, que exige o uso exclusivo de materiais adequados para procedimentos cirúrgicos. Em caso de descumprimento, a multa estipulada é de R$ 2.500, e os valores arrecadados serão destinados ao Fundo Municipal de Proteção Animal.
A discussão sobre a prática ganhou força após a morte da cadela comunitária Chiara, em Três Corações (MG). Ela apresentou complicações graves e morreu 14 dias após uma cirurgia de castração realizada pelo serviço municipal, onde o uso de abraçadeiras de nylon foi um dos fatores investigados. O caso gerou comoção e levou a Câmara de Três Corações a aprovar uma lei semelhante, também com multa de R$ 2,5 mil.
Especialistas alertam que o uso de abraçadeiras de nylon em procedimentos cirúrgicos é extremamente perigoso. Segundo a médica veterinária Ana Flávia Silva dos Santos, em entrevista ao G1, o material não é estéril e pode causar danos severos no abdômen do animal. Os principais riscos incluem:
A veterinária relatou um caso em que encontrou três 'enforca-gatos' no abdômen de uma cadela que havia sido castrada seis meses antes, causando uma infecção grave que exigiu uma nova cirurgia de emergência. O Conselho Federal de Medicina Veterinária já desaconselha a técnica.
Sim, a lei é válida para todos os estabelecimentos veterinários da cidade, tanto da rede pública quanto da rede privada.
A multa para o estabelecimento que descumprir a lei é de R$ 2.500. Projetos de lei em âmbito nacional preveem que o valor seja dobrado em caso de reincidência.
As abraçadeiras de nylon não são materiais cirúrgicos estéreis. Seu uso pode provocar lesões internas, inflamações, infecções generalizadas (sepsemia) e até levar o animal à morte, segundo especialistas da área veterinária.
A nova legislação em Passos representa um avanço importante para o bem-estar e a segurança dos animais domésticos na região. A medida alinha o município a uma discussão nacional sobre a modernização de práticas veterinárias, reforçando a necessidade de utilizar apenas materiais adequados e seguros em procedimentos cirúrgicos.
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