A mecanização militar reduziu em 90% o número de cavalos do Exército Brasileiro, mas uma fazenda no RS segue ativa. Entenda o papel da Coudelaria de Rincão.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Exército Brasileiro, que contava com 22.810 cavalos no início da Segunda Guerra Mundial, hoje mantém um efetivo de 2.181 animais. Apesar da drástica redução de mais de 90% impulsionada pela mecanização, a criação de equinos militares não apenas sobrevive, como é centralizada em uma unidade de elite. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Localizada em São Borja (RS), a Coudelaria de Rincão é a única fazenda do Exército dedicada à criação e treinamento de cavalos, garantindo o suprimento para funções cerimoniais, operacionais e esportivas que a tecnologia ainda não substituiu.
A Coudelaria de Rincão é uma unidade militar com mais de 15 mil hectares em São Borja, na fronteira com a Argentina, responsável por produzir todos os cavalos utilizados pelo Exército Brasileiro. Fundada em 1922, ela é a última remanescente de uma rede que chegou a ter nove fazendas do tipo no país, conforme apurado pela Gazeta do Povo e pelo portal Compre Rural. A centralização em Rincão ocorreu em 1988, aproveitando sua vasta área e a tradição gaúcha na criação de equinos.
A produção de um cavalo militar é um processo planejado que dura cinco anos. Segundo a Globo Rural, o ciclo começa com o planejamento genético e financeiro, seguido pela inseminação das éguas. Após 11 meses de gestação, os potros nascem e são criados a campo por três anos antes de iniciar a doma e o treinamento específico.
A unidade produz entre 150 e 170 animais por ano, utilizando biotecnologias como a transferência de embriões, onde éguas da raça Bretã, conhecidas pela docilidade e produção de leite, servem como "barrigas de aluguel" para gestar potros de linhagens de alto desempenho.
Os equinos formados em Rincão têm múltiplos destinos, atendendo a necessidades estratégicas e cerimoniais das Forças Armadas. De acordo com diversas fontes, os principais usos incluem:
Atualmente, o efetivo do Exército Brasileiro é de 2.181 cavalos. Esse número representa uma redução superior a 90% em comparação com os 22.810 animais que a força possuía no início da Segunda Guerra Mundial, segundo dados da Gazeta do Povo.
Todos os cavalos do Exército são criados na Coudelaria de Rincão, uma fazenda militar de mais de 15 mil hectares localizada em São Borja, no Rio Grande do Sul. Conforme reportagens do G1 e Compre Rural, esta é a única unidade do tipo ainda em atividade no Brasil.
A Coudelaria de Rincão cria principalmente as raças Brasileiro de Hipismo (BH), Puro-Sangue Inglês (PSI), Bretão, Cavalo Crioulo e Polo Argentino. Cada raça é selecionada por suas aptidões específicas para uso militar, esportivo ou de patrulhamento, sendo o BH o principal destaque do plantel.
A drástica redução no número de cavalos do Exército reflete a modernização das Forças Armadas, mas a manutenção da Coudelaria de Rincão demonstra que os equinos ainda são um ativo estratégico. Longe de ser uma relíquia, a criação combina tradição e tecnologia para fornecer animais versáteis, indispensáveis para funções onde a resiliência e a adaptabilidade superam a máquina.
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