Modelos da Ferrari, avaliados em milhões de reais, são frequentemente apreendidos em ações da Polícia Federal contra o crime organizado. Entenda os esquemas de fraude e lavagem de dinheiro por trás desses veículos.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Apreensões de carros da marca Ferrari, avaliados em milhões de reais, tornaram-se um símbolo recorrente em operações da Polícia Federal contra esquemas de alta complexidade, incluindo lavagem de dinheiro, fraudes bilionárias e crime organizado. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Em investigações sobre fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Polícia Federal apreendeu diversos veículos de luxo. Em uma das fases da Operação Sem Desconto, uma Ferrari F8, avaliada em cerca de R$ 4 milhões, foi um dos bens recolhidos. A operação investiga um esquema de descontos indevidos em aposentadorias que pode ter causado um prejuízo superior a R$ 6 bilhões, segundo a PF. Os veículos de luxo seriam utilizados para ocultar e dilapidar o patrimônio adquirido ilegalmente.
Outro caso notório envolveu uma operação contra empresas de serviços de limpeza em São Paulo. Uma Ferrari e uma Maserati foram apreendidas em uma ação que apurava a emissão de mais de R$ 900 milhões em notas fiscais com indícios de fraude. Segundo a investigação, o grupo criminoso usava os carros de luxo registrados em nome de laranjas como parte do esquema de lavagem de dinheiro.
A ligação entre carros de luxo e o crime organizado também é evidente em outras operações. Uma Ferrari avaliada em R$ 3 milhões foi apreendida na casa de um dos chefes de uma quadrilha especializada em roubo violento de cargas. A PF desmantelou o grupo que, entre 2021 e 2024, teria participado de pelo menos 49 assaltos, utilizando o lucro para manter um estilo de vida elevado.
Em outra ação, uma Ferrari de R$ 1,5 milhão com placas do Paraguai foi apreendida com um empresário investigado há uma década por lavagem de dinheiro e suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O Ministério Público de São Paulo apontou que o investigado usava a compra de automóveis e imóveis de alto padrão para lavar dinheiro obtido de forma ilícita.
Ferraris e outros bens de luxo são ativos de alto valor, frequentemente utilizados por organizações criminosas para lavar dinheiro obtido em atividades ilícitas, como fraudes, sonegação fiscal e tráfico. A compra desses veículos é uma forma de ocultar a origem dos recursos e convertê-los em patrimônio com aparência de legalidade.
Após a apreensão e o devido processo legal, os veículos podem ser leiloados pela Justiça. Os valores arrecadados são, em geral, revertidos aos cofres públicos para ressarcir os prejuízos causados pelos crimes. Em um dos casos investigados pelo Ministério Público de São Paulo, uma Ferrari 360 Modena F1 foi leiloada após ser apreendida.
A apreensão de Ferraris em operações da Polícia Federal evidencia como esses veículos se tornaram um instrumento para a ocultação de patrimônio em grandes esquemas criminosos. As ações policiais demonstram o esforço contínuo para descapitalizar organizações que atuam em fraudes, lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas de grande porte no país.
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