Um soldado fuzileiro naval foi licenciado 'a bem da disciplina'. Saiba o que essa medida significa, suas consequências legais e o que diz a lei militar.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A notícia sobre o licenciamento de um fuzileiro naval do serviço ativo "a bem da disciplina" levanta questionamentos sobre o significado e as implicações dessa medida. Trata-se de uma das formas mais severas de desligamento nas Forças Armadas, prevista na legislação e com consequências diretas para a carreira e remuneração do militar. Atualizado em 20 de setembro de 2026.
A expulsão é uma das modalidades que levam um militar à situação de inatividade, conforme estabelecido pela Lei nº 4.902, de 16 de dezembro de 1965. O artigo 2º desta lei define que os militares passam para a inatividade mediante, entre outras formas, "desincorporação, licenciamento e expulsão". Essa medida é aplicada como uma sanção disciplinar em casos de faltas graves que tornam a permanência do indivíduo na corporação insustentável.
O principal efeito imediato da expulsão é a interrupção dos vencimentos. A Lei nº 8.237, de 30 de setembro de 1991, que regula a remuneração dos militares, é clara em seu artigo 13: o direito à remuneração cessa quando o militar é desligado do serviço ativo por "exclusão a bem da disciplina ou perda do posto e patente".
Apesar da perda da remuneração, a legislação prevê um amparo para os familiares. Em casos de expulsão "a bem da disciplina", os herdeiros do militar podem ter direito a receber uma pensão, como se ele tivesse falecido. Este conceito é conhecido como "morte ficta" e está previsto na Lei nº 3.765/60. Segundo análise jurídica, o Tribunal de Contas da União (TCU), através da Súmula 169, equipara o militar excluído ou expulso ao falecido para fins de concessão de pensão militar, garantindo o benefício aos seus dependentes.
O direito à remuneração é imediatamente cessado. De acordo com a Lei nº 8.237/1991, a exclusão a bem da disciplina é um dos motivos para o fim do pagamento de soldos, gratificações e adicionais.
Não necessariamente. A família pode solicitar a pensão militar. A legislação, por meio do conceito de "morte ficta", permite que os herdeiros de militares expulsos com mais de 10 anos de serviço recebam o benefício como se o instituidor tivesse falecido, conforme explicado em pareceres jurídicos baseados na Lei nº 3.765/60.
Sim. A Lei nº 4.902/1965, que regula a situação de inatividade dos militares, cita a expulsão como uma das formas de desligamento do serviço ativo das Forças Armadas.
A expulsão "a bem da disciplina" é uma medida administrativa extrema, com base legal sólida, que resulta no desligamento definitivo do militar das Forças Armadas e na perda de sua remuneração. Contudo, o ordenamento jurídico brasileiro prevê mecanismos de proteção para a família, como o direito à pensão militar, assegurando um amparo financeiro aos dependentes.
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