Conheça a história do padre italiano Giovanni Gallo, que nos anos 70 financiou pontes e uma pista de pouso no Marajó com a venda de piranhas empalhadas.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Na década de 1970, o padre jesuíta italiano Giovanni Gallo transformou um dos peixes mais temidos da Amazônia em uma fonte de desenvolvimento para a Ilha do Marajó, no Pará. Com a venda de 12 mil piranhas empalhadas para a Europa, ele financiou a construção de pontes, um cemitério e até uma pista de pouso, além de plantar a semente para a criação do Museu do Marajó. Atualizado em 27 de setembro de 2026.
Ao chegar a Santa Cruz do Arari, uma comunidade com casas em palafitas e passarelas precárias, o padre Gallo notou a necessidade de infraestrutura. A inspiração para arrecadar fundos surgiu de forma inusitada: ao ver piranhas envernizadas à venda como souvenir em Belém, ele teve a ideia de criar um artesanato de melhor qualidade para exportação, conforme relata a revista CHC.
Gallo montou um laboratório na Vila de Jenipapo, onde ensinou moradoras locais a técnica de embalsamar os peixes. Segundo a CNN Brasil, um total de 12 mil piranhas foram preparadas e enviadas para a Itália através da rede de contatos do sacerdote na Europa.
Os recursos obtidos com a venda do artesanato exótico foram integralmente revertidos para a comunidade. O dinheiro pagou as trabalhadoras e financiou uma série de obras públicas essenciais que mudaram a realidade local. De acordo com levantamentos documentais, as benfeitorias incluíram:
Essas estruturas, como as pontes, permanecem em uso quase 40 anos depois, um testemunho da durabilidade e do impacto do projeto.
A verba restante da venda das piranhas viabilizou a criação da Associação "O Nosso Museu de Santa Cruz do Arari". A instituição, que começou com peças arqueológicas e fragmentos de cerâmica marajoara doados pela própria população, se consolidaria mais tarde como o Museu do Marajó.
Como detalhado pela revista Superinteressante, o padre Gallo não queria apenas colecionar objetos, mas valorizar a cultura e o "homem marajoara". Após enfrentar perseguições políticas e desentendimentos com a Igreja, ele se mudou para Cachoeira do Arari, onde o museu foi reinaugurado em 1987, tornando-se um polo de desenvolvimento e preservação cultural.
Giovanni Gallo (1927-2003) foi um padre jesuíta italiano, naturalizado brasileiro, que atuou na Amazônia a partir de 1970. Além de sacerdote, foi arqueólogo, museólogo e fotógrafo, sendo o fundador do Museu do Marajó, no Pará.
Ao todo, 12 mil piranhas empalhadas foram produzidas pela comunidade de Santa Cruz do Arari e exportadas principalmente para a Itália, utilizando a rede de contatos de Gallo na Europa.
Os recursos financiaram 350 metros de pontes, um trapiche, um cemitério para o período de cheias, uma pista de pouso de 800 metros e a estrutura inicial do que viria a ser o Museu do Marajó.
A iniciativa do padre Giovanni Gallo é um exemplo notável de como a criatividade e o engajamento comunitário podem gerar desenvolvimento sustentável. Ao transformar piranhas em pontes, ele não apenas resolveu problemas de infraestrutura, mas também fortaleceu a identidade cultural e deixou um legado duradouro com a fundação do Museu do Marajó.
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