No sertão da Paraíba, uma jovem transforma retalhos de couro em pulseiras, funda a própria marca e aumenta a renda familiar. Conheça a história de Maria Clara.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Aos nove anos, Maria Clara Cândido transformou o que era lixo em oportunidade no sertão da Paraíba. Utilizando restos de couro do ateliê de seu pai, a jovem de Cabaceiras (PB) começou a criar e vender pulseiras, fundou a própria marca e ajudou a aumentar a renda da família em cerca de R$ 2 mil por mês. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A iniciativa de Maria Clara surgiu após participar de projetos de educação financeira em sua escola, como o jogo "Piquenique", do Instituto Brasil Solidário (IBS), e o "Jovens Empreendedores Primeiros Passos" (JEPP), do Sebrae. Segundo relatos, a ideia de criar suas próprias pulseiras veio quando ela achou os preços de acessórios de plástico, na faixa de R$ 25, muito altos por um produto pouco durável.
Olhando para os retalhos de couro que seu pai, o artesão Saulo Ramos, descartava ou queimava, ela viu uma matéria-prima valiosa. "Eu vi que tinha muita coisa indo para o lixo e que eu poderia reutilizar, transformar o que era lixo em renda", contou a estudante em entrevista ao G1.
O que começou como uma peça para uso pessoal rapidamente chamou a atenção dos colegas na escola, que começaram a fazer encomendas. Assim nasceu a "Flor de Cactus", marca criada por Maria Clara para vender suas criações. As vendas se expandiram para clientes do pai, feiras de artesanato, como a Festa do Bode Rei, e um perfil no Instagram, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo.
Com o dinheiro das vendas, ela não apenas comprava itens que desejava, como livros e um tênis, mas também desenvolveu responsabilidade financeira, chegando a usar seus ganhos para pagar uma consulta médica, de acordo com sua mãe, Marilia Michelli.
O sucesso do pequeno negócio gerou um impacto significativo: a renda da família cresceu aproximadamente R$ 2.000 por mês. Além do ganho financeiro, a iniciativa de Maria Clara inspirou seu pai a repensar seu próprio processo produtivo. Saulo Ramos passou a reaproveitar as sobras de couro para criar novos modelos de sandálias, otimizando o uso do material que antes era descartado.
"Aquilo que minha família antes via com desprezo, a gente passou a enxergar com outro olhar. Eu comecei a ver encanto ali", afirmou Maria Clara à Folha de S.Paulo.
Inspirada por um projeto de educação financeira na escola, ela decidiu usar os retalhos de couro da oficina de seu pai para criar seus próprios acessórios, após considerar as opções comerciais caras e de baixa qualidade.
A marca de pulseiras e acessórios de couro criada por Maria Clara se chama Flor de Cactus.
A venda das pulseiras e a otimização do uso do couro pelo pai resultaram em um aumento de cerca de R$ 2.000 na renda mensal da família.
Atualmente com 16 anos, Maria Clara está focada nos estudos em um instituto federal e não está mais à frente da marca. No entanto, ela considera a "Flor de Cactus" uma parte especial de sua história.
A história de Maria Clara Cândido é um exemplo de como a educação financeira, a sustentabilidade e a visão empreendedora podem transformar realidades. O que começou como uma simples pulseira feita de sobras de couro se tornou uma fonte de renda, inspiração e orgulho para sua família no sertão paraibano, mostrando que grandes oportunidades podem surgir das coisas mais simples do dia a dia.
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