O fenômeno Super El Niño pode provocar ao menos seis ondas de calor com temperaturas extremas no Brasil até dezembro de 2026. Entenda os riscos e as regiões.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Brasil pode enfrentar pelo menos seis ondas de calor até dezembro de 2026 devido à atuação de um Super El Niño, segundo análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O fenômeno climático eleva o alerta para temperaturas extremas, seca e maior risco de incêndios florestais em diversas regiões do país. Atualizado em 25 de setembro de 2026.
A estimativa de seis ondas de calor é resultado de um estudo estatístico que analisou 47 anos de registros meteorológicos durante períodos de El Niño, conforme divulgado pelo Cemaden. É importante notar que este número reflete uma tendência probabilística e não um cronograma fixo de eventos, podendo variar conforme a dinâmica atmosférica.
Especialistas alertam que o número de episódios pode ser ainda maior, especialmente porque o fenômeno ocorre em um planeta que já está mais quente devido às mudanças climáticas. Para referência, entre agosto de 2023 e dezembro de 2024, o Brasil registrou nove ondas de calor, o maior número desde o início da série histórica em 1979, mais que o dobro da média geral de quatro episódios.
O El Niño atual já é classificado como "muito forte" por órgãos de monitoramento. Segundo a NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, a probabilidade de o evento atingir essa intensidade máxima supera os 90%, com 75% de chance de quebrar recordes observados desde 1950. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, que altera a circulação de ventos e o padrão de chuvas globalmente.
Os impactos no Brasil são assimétricos:
A combinação de calor intenso e falta de chuva eleva significativamente o risco de incêndios florestais. Um levantamento conjunto do CPTEC, Inpe, Inmet e Funceme identificou 560 municípios em nível de alerta alto para fogo, abrangendo mais de 35% do território brasileiro. As áreas entre a Amazônia e o Pantanal são consideradas as mais vulneráveis.
Em resposta, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já emitiu avisos vermelhos para ondas de calor em estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e partes de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Órgãos de Defesa Civil também reforçaram alertas sobre a necessidade de hidratação constante e cuidados com a saúde, especialmente para crianças e idosos.
Uma onda de calor é definida como um período de pelo menos três dias consecutivos em que as temperaturas máximas e mínimas permanecem excepcionalmente acima da média histórica para uma determinada região. O calor persiste durante o dia e também à noite.
Historicamente, o Brasil registra entre 8 e 14 ondas de calor por ano, dependendo da região monitorada. No entanto, a frequência desses eventos tem aumentado nas últimas décadas, especialmente a partir de 2010.
Não. O El Niño provoca impactos distintos pelo país. Enquanto a Região Sul tende a registrar chuvas acima da média, o Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste enfrentam maior probabilidade de tempo quente, seco e estiagens prolongadas.
A previsão de seis ou mais ondas de calor impulsionadas pelo Super El Niño coloca o Brasil em estado de alerta até o final de 2026. A análise do Cemaden, baseada em dados históricos, indica um período de temperaturas extremas, com riscos elevados de seca, incêndios e impactos na saúde pública. O monitoramento contínuo das condições climáticas é essencial para mitigar os efeitos do fenômeno.
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