Sem dinheiro para tijolos, Tressa Prisbey usou lixo para erguer 15 prédios na Califórnia. Conheça a incrível história da Bottle Village e seu legado.
Olyvio Marques
Editor · Curiosidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O que começou como uma solução para guardar uma coleção de 17 mil lápis se transformou em um dos maiores monumentos da arte folk nos Estados Unidos. Aos 60 anos e sem dinheiro para comprar blocos de cimento, Tressa "Grandma" Prisbey começou em 1956 a recolher garrafas de vidro de um lixão para construir, ao longo de 25 anos, uma vila inteira com 15 prédios em Simi Valley, Califórnia. Atualizado em 17 de outubro de 2026.
Em 1956, Tressa Prisbey morava em um trailer com seu marido e precisava de espaço para sua vasta coleção de lápis comemorativos, conforme relatado pela CNN Brasil. Ao pesquisar o preço de blocos de concreto para construir um pequeno galpão, ela descobriu que o custo estava muito acima de seu orçamento. A solução veio de um aterro sanitário próximo: garrafas de vidro descartadas.
Prisbey começou a coletar milhares de garrafas de bebidas, leite de magnésia e outros recipientes de vidro, transformando o que era lixo em matéria-prima. Sua técnica consistia em assentar as garrafas horizontalmente com argamassa, que ela mesma misturava manualmente, deixando as bases viradas para fora. O resultado criava paredes que brilhavam com a luz do sol, produzindo mosaicos coloridos no interior das estruturas.
O projeto inicial para abrigar os lápis expandiu-se rapidamente. Entre 1956 e o início dos anos 1960, Prisbey ergueu 15 estruturas distintas, cada uma com um cômodo. Entre elas estavam as "Pencil Houses" para sua coleção original e a "Doll House", que abrigava mais de 600 bonecas resgatadas do lixo, de acordo com o Correio do Estado.
Quando o espaço para novas construções acabou, ela passou a decorar o terreno. Criou caminhos com mosaicos de azulejos e louças quebradas, jardins com faróis de carros antigos e santuários feitos com conchas e ferraduras. A "Grandma Prisbey's Bottle Village", como foi batizada em 1961, tornou-se uma atração local, e Tressa guiava os visitantes em troca de alguns centavos.
A Bottle Village também se tornou uma forma de Tressa lidar com suas perdas pessoais. Ela sobreviveu a seis de seus sete filhos, que morreram ao longo da vida por doenças ou acidentes. Várias construções foram dedicadas a eles, transformando a vila em um memorial. A "Casa das Conchas" (Shell House), por exemplo, foi construída em apenas dois dias após ela receber a notícia de que um de seus filhos estava gravemente doente. Um santuário em formato de coração foi criado em homenagem à sua filha Velma.
O trabalho de Prisbey, que nunca se considerou uma artista profissional, ganhou reconhecimento no mundo da arte nos anos 1970. Em 1981, a Bottle Village foi tombada como Patrimônio Histórico do estado da Califórnia e, em 1996, foi adicionada ao Registro Nacional de Lugares Históricos dos EUA. Com a saúde debilitada, Tressa mudou-se em 1982 e faleceu em 1988, aos 92 anos.
Anos depois, um terremoto em 1994 danificou gravemente parte das estruturas. Hoje, a organização sem fins lucrativos Preserve Bottle Village cuida do local, promovendo a restauração e oferecendo visitas guiadas agendadas.
Tressa Prisbey usou garrafas de vidro porque não tinha dinheiro para comprar materiais de construção convencionais, como blocos de cimento. Ela encontrou nos recipientes descartados em um lixão uma alternativa gratuita e criativa para erguer as paredes de sua vila.
Após a morte de Tressa em 1988, a vila sofreu danos significativos devido a um terremoto em 1994. Uma organização sem fins lucrativos, a Preserve Bottle Village, assumiu a gestão do local e trabalha para restaurar as estruturas e preservar seu legado.
Sim, é possível visitar a Bottle Village. As visitas são agendadas e guiadas, com um custo que varia de US$ 20 a US$ 30 por pessoa. O local é mantido pela organização Preserve Bottle Village, que também oferece informações no site oficial.
A história de Tressa "Grandma" Prisbey é um testemunho da criatividade e resiliência humana. O que nasceu de uma necessidade prática se tornou um complexo artístico e um patrimônio histórico, provando que é possível criar algo extraordinário a partir do que a sociedade descarta, como ela mesma disse: "Qualquer um pode fazer algo com um milhão de dólares... mas é preciso mais do que dinheiro para fazer algo do nada".
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